
Maputo (IKWELI) – A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou, nesta segunda-feira (18), a continuação da greve nacional da saúde e acusou o governo de conduzir um “diálogo fraudulento”, sem resultados concretos.
Em conferência de imprensa realizado em Maputo, o presidente da organização, Anselmo Muchave, denunciou a ocorrência de 2.673 mortes evitáveis desde Janeiro de 2026, alegando falta de medicamentos, material hospitalar e condições mínimas nas unidades sanitárias, além de apontar irregularidades graves no armazenamento de fármacos.
A associação acusa o Executivo de promover um “diálogo encenado”, alegando que os representantes indicados pelo Governo não possuem poder de decisão, nem domínio técnico suficiente para negociar soluções concretas.
“O Governo insiste em nos chamar para “diálogo sério”. Mas colocou à frente do processo pessoas sem mandato, sem conhecimento técnico, sem poder de decisão.”
Um dos principais alvos das críticas é a Central de Abastecimento de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM). Durante acções de monitoria, a APSUSM afirma ter encontrado medicamentos próximos do prazo de validade ou já expirados, além de armazéns com infiltrações, deficiente controlo de pragas e falta de condições de higiene.
“Pombos e roedores circulam nos armazéns do CMAM. O que isso significa que medicamentos que depois vão para a boca de um paciente doente, contaminados com fezes de animais, para além de tratar o paciente, mata.” declarou
A APSUSM repudia igualmente o Ministério da Saúde por priorizar acções de imagem em detrimento da resolução dos principais problemas do sector.
Refira-se que a associação reivindica o pagamento de subsídios, horas extras, progressões de carreira e melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde. (Antónia Mazive)




