Nampula: Coordenador da ANAPRO sob ameaças de morte

Nampula (IKWELI) – O coordenador regional norte da Associação Nacional dos Professores (ANAPRO), baseado na província de Nampula, Arnaut Naharipo denunciou recentemente ao Ikweli estar a atravessar momentos de constantes ameaças que supõe que estejam relacionadas as críticas públicas que tem vindo a fazer sobre o sistema de educação a nível da província e do país em geral. Segundo contou, os sinais de ameaças iniciaram publicamente numa reunião com os seus colegas na escola Secundária de Namialo, onde um dos professores teria proferido palavras ameaçadoras supostamente porque o coordenador estava a impedir os docentes de praticarem ilicitudes durante o exercício das actividades na escola.As ameaças iniciaram há sensivelmente dois anos, mas no dia 18 de fevereiro do ano em curso, numa reunião com 112 (cento e doze) professores, um colega levantou e disse para eu me retirar daquela escola porque constituía uma ameaça, uma vez que estou a lhes proibir de praticar corrupção tanto como praticar assédio sexual. Afirmavam também que não conseguem terminar os seus muros, visto que estou a impedir-lhes de cobrarem dinheiro em tempos de exames, e um dos colegas gritou que vamos te matar, contou Naharipo, reconhecendo que qualquer revolucionário espera este tipo de situações.O mais grave ainda, segundo o coordenador, é que as ameaças também são feitas telefonicamente. “Eu espero, mas o mais triste é ser envolvida a minha família porque sei que alguém que luta por uma determinada causa, sempre espera ser ameaçado. Agora quando se estende para as pessoas mais próximas, fica muito complicado, sublinhou.Face a situação, Naharipo asseverou que pediu transferência e a escola favoreceu assim como os Serviços Distritais de Educação, Juventude e Tecnologia de Meconta, mas o administrador travou o processo. Portanto, se alguma coisa acontecer comigo e a minha família em parte o governo do distrito vai ter que se responsabilizar porque eu quero tentar fugir de lá e não está a ser fácil, realçou a fonte.Com a gravidade da ameaça, já submeti uma queixa a procuratoria distrital de Meconta para ser investigada esta situação. A mensagem recebi no dia um e fui submeter a queixa no dia cinco, contou Naharipo.Todavia, o coordenador anotou que a Associação Nacional dos Professores não vai recuar com as suas actividades porque o movimento está em curso. Mesmo que tirem a minha vida, a ANAPRO vai continuar. Este é apenas um começo, porque os meus companheiros vão prosseguir com os trabalhos de lutar para a melhoria da educação, frisou. (Francisco Mário)