Nampula (IKWELI) – Um cidadão, de aproximadamente 29 anos de idade, acusa supostos membros da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, de o terem agredido fisicamente com o objectivo de obrigá-lo a “falar a verdade”, após ser apontado como integrante de um grupo criminoso.
Segundo o denunciante, os agentes acusam-no de ser malfeitor, facto que ele nega, alegando que o verdadeiro envolvido em actividades ilícitas é o seu sobrinho, com que ele tinha casado com a tia.
O cidadão afirma que foi detido há quatro dias e que, durante esse período, tem sido submetido a agressões constantes.
“Eles vieram me pedir se eu conheço ele, para apresentar. Eu disse que ele vive com a mãe. Daí outro polícia disse, não é um grupo esse, levaram-me e até hoje estou aqui há quatro dias sem comer, nem água. Só me tiram fora para me baterem,” relatou.
O cidadão acrescentou que, cansado de receber chapadas, insistiu que nunca roubou, mas que o sobrinho é quem vendia chinelos e teria sido identificado como um “cadastrado perigoso” no mundo do crime. “Antes de ontem bateram a minha cabeça na parede. Hoje vieram doze polícias e começaram a me bater. Bateram-me com ferro, dizem que é pra eu falar a verdade. Estou cheio de feridas e eu não sei de nada,” afirmou.
Entretanto, a PRM em Nampula, através da sua porta-voz, Rosa Nilza Chaúque, nega as acusações e garante que o indivíduo faz parte de uma quadrilha de assaltantes que, nos últimos tempos, tem semeado terror um pouco por toda cidade de Nampula.
“Essa informação não constitui verdade. Na verdade, foi intenção do indivíduo desviar o foco desta entrevista e fugir da responsabilidade do caso criminal que o mesmo teria praticado na companhia dos seus comparsas,” disse a porta-voz.
De acordo com a polícia, o caso mais recente que pesa sobre o cidadão é a agressão brutal contra uma mulher, onde, alegadamente, os suspeitos usaram um ferro de engomar para queimar a vítima, com o intuito de a pressionar a entregar valores monetários.
Na mesma ocasião, a Polícia da República de Moçambique apresentou, publicamente, um grupo de nove jovens, acusados de venda e consumo de diversos estupefacientes. (Malito João)






