Nampula (IKWELI) – Os professores da cidade de Nampula estão preocupados com a retirada de disciplinas como Filosofia, que passa apenas a ser leccionada no grupo A, ou seja, na secção de letras, da 11ª e 12ª classes, assim como da disciplina de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) que passará a não constar do currículo do segundo ciclo.
Trata-se de uma decisão que tem a sua implementação no novo currículo em 2025/2026 onde a Filosofia deixará de ser uma disciplina transversal obrigatória para todos os ramos da 2° ciclo sob alegação de que o grupo B se focaliza mais nas ciências exatas e naturais (como Biologia, Física e Química), excluindo desta forma a Filosofia.
Em entrevista ao Ikweli, professores criticam a decisão do Ministério da Educação e Cultura de tirar a disciplina de Filosofia por exemplo, uma vez que entendem que a decisão vai contribuir para limitar o pensamento crítico e humanístico dos estudantes.
“A retirada da disciplina de filosofia constitui um atropelo do objetivo da mesma, que era de incutir nos alunos um pensamento crítico, colmatar o défice moral. Assim, a retirada no grupo B, estamos a dizer que os alunos não apresentam os problemas que a disciplina visa resolver,” disse o professor Felisberto Inácio.
A fonte ainda aventou a possibilidade de que as decisões do novo currículo são tomadas por sapateiros, “Não faz sentido a disciplina de TIC passar a estar somente na 10ª classe, e ser retirada das classes subsequentes ser retirada, alguma coisa não está bem. Provavelmente as pessoas que estão a elaborar currículos são sapateiros,” frisou a fonte.
Já para o professor Sérgio Turrula diz que haverá “um impacto negativo na retirada de algumas disciplinas, porque as disciplinas de Filosofia e TIC deveriam estar em todos grupos sem excepção e não sei qual é a política que eles usam quando mudam um currículo.”
Arnaut Naharipo, coordenador regional Norte da Associação Nacional dos Professores de Moçambique (ANAPRO), entende que a retirada de algumas disciplinas mostra que os gestores da educação olham o sector como se fosse xitique de governação em que cada pessoa tem o seu plano e coloca em prática como se fosse um jogo de xadrez.
“Antes do ministério da Educação retirar ou introduzir alguma disciplina, devia fazer um estudo profundo, uma pesquisa daquilo que se relaciona com o meio geográfico para depois fazer a remoção ou colocar uma disciplina,” realçou Naharipo.
Refira-se que o governo, através da Ministra da Educação e Cultura, Samaria dos Anjos Novela, informou que vai introduzir novas disciplinas curriculares a partir deste ano lectivo (2026), e entre as novidades, destaca-se a inclusão das Artes, que passarão a ser leccionadas aos sábados de manhã. (Francisco Mário)





