Recrudescimento da criminalidade preocupa população de Nathove 

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Nampula (IKWELI) – Os residentes na unidade comunal de Nathove, bairro de Namutequeliua, nos arredores da cidade de Nampula, denuncia o recrudescimento da criminalidade tanto na via pública e nas residências, praticada por desconhecidos que atacam à calada da noite.

Os moradores descrevem episódios alarmantes e tristes de assaltos, roubos, agressão e violação sexual perpetrados por grupos de criminosos que actuam naquela zona.

Marcos Xavier é morador de Nathove e contou ao Ikweli que o problema é antigo,  mas que nos últimos tempos vem se agravando porque os criminosos notaram que já não há patrulha da Polícia. 

“Temos problemas de criminalidade sim, porque o bairro não está a ser patrulhado pela polícia e em casos de uma solicitação quando há assaltos, tem sido tarde enquanto os gatunos já praticaram sua acção e foram embora,” relatou Xavier, indicando ainda que “eu sou testemunha de duas situações em que houve assaltos nas casas dos moradores aqui, os malfeitores chegaram, entraram dentro, recolheram tudo e exigiram dinheiro e foram embora. Noutra casa, também, fizeram assim mesmo, e como entram muitos gatunos, não há como sem a polícia, por isso pedimos que haja patrulhamentos todos os dias aqui porque estamos a sofrer.”

Um outro morador de Nathove é Samito Fernando Geraldo, que relatou ao Ikweli que vive na zona há cinco anos e de lá para cá os roubos são constantes, os criminosos passeiam a sua classe todos os dias nas casas que identificam, mas como não há proteção da polícia, não são neutralizados.

Samito contou que, nesta quarta-feira 10, houve um assalto em que os militantes apoderaram-se de 300.000,00Mt (trezentos mil meticais) de um comerciante, agrediram-no fisicamente causando ferimentos graves com catana e foram embora noutra residência onde arrombaram a porta e roubaram bens.

“Nós fazíamos patrulhas comunitárias, mas as pessoas que estavam ligadas a esse serviço pediam dinheiro de pagamento e como não tínhamos condições parámos. Agora intensificaram-se os assaltos e roubos, por isso há esse clamor que a população faz para necessidade de patrulhas noturnas,” disse a fonte.

Segundo Samito, as patrulhas que aconteciam na zona eram feitas pelos moradores, mas devido a ordens financeiras para pagar os membros do grupo, ficaram interrompidas, por isso “é daí que estamos aqui a pedir ao Comando Provincial da PRM para mandar homens aqui para nos ajudar a travar estes assaltos.”

“A situação dos assaltos é deveras preocupante”, disse uma interlocutora, que contou que “há violação sexual nestes assaltos que os militantes cometem nas residências.”. “Quando entram dentro de uma casa, exigem dinheiro, batem pessoas e violam sexualmente as mulheres em frente dos filhos e marido,” disse indo mais longe ao afirmar que na zona há mulheres com traumas devido a violação sexual de malfeitores na calada da noite. “É por isso que estamos aqui nesse choro para termos socorro de patrulhas da Polícia, estamos mal,” gritou a fonte.

Gabriel Adriano, vive em Nathove há anos, e disse a nossa reportagem que é imperioso que a polícia comece a fazer patrulhas noturnas devido ao recrudescimento dos assaltos. “São assaltos repetitivos nesta zona. Eles descobriram a fragilidade da população por não haver patrulhas da polícia e nós nos sentimos inseguros, os casos recentes de assaltos foram tristes, numa única noite dois vizinhos foram catanados, então estamos a pedir a polícia para velar por este nosso bairro.”

Nathove é exemplo de várias outras unidades comunais e/ou bairros inseguros, onde não há patrulha noturna da PRM e os amigos do alheio vão passeando a sua classe, roubando bens dos moradores, violando sexualmente e causando ferimentos com objectos contundentes.

Esta situação veio se agravando desde o ano passado com a vandalização, destruição de alguns postos policiais e ainda a onda de perseguição dos membros da corporação que fez com que as patrulhas ficassem descontinuadas em algumas zonas.

A nossa equipa de reportagem questionou a porta-voz da PRM em Nampula, Rosa Nilza Chaúque, sobre o porquê da falta de patrulhamento naquele bairro, a qual respondeu prontamente que “não tem registos sobre denúncias da criminalidade e garante diligências para responsabilização dos autores envolvidos nos crimes.” (Nelsa Momade)

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