Maputo (IKWELI) — O preço de referência ao produtor da castanha de caju para a campanha de comercialização 2026/2027 foi fixado em 48,00Mt (quarenta e oito meticais) por quilograma, contra os 45,00Mt (quarenta e cinco meticais) praticados na campanha anterior.
A proposta foi apreciada na primeira sessão do Comité de Amêndoas, que reúne produtores, comerciantes, processadores, exportadores e representantes do Governo para definir as condições da nova campanha.
Na abertura da sessão, nesta quarta-feira (7), em Maputo, o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pesca, Roberto Mito Albino, afirmou que a definição do preço constitui um exercício de grande responsabilidade, por contribuir para criar previsibilidade na cadeia de valor e garantir que a produção de caju continue economicamente atractiva para os produtores.
Albino explicou que a definição do novo preço ocorre no contexto da implementação dos principais instrumentos de orientação estratégica do sector agrário, entre os quais o Programa Quinquenal do Governo 2025-2029, o Plano Estratégico do Sector Agrário (PESA) 2020-2030 e o Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Valor do Caju (PDC) 2025-2034.
Sobre a campanha anterior, em que o preço de referência foi fixado em 45 meticais, o ministro disse que o valor foi estabelecido num contexto específico de produção, comercialização e mercado. Para a nova campanha, defendeu uma análise dos factores que influenciam a formação do preço, incluindo os custos de produção, a qualidade da castanha, os preços internacionais, os custos de comercialização e logística, a taxa de câmbio e a capacidade da indústria nacional.
O governante destacou ainda a necessidade de equilibrar um preço atractivo para o produtor com a competitividade da cadeia de valor, particularmente da indústria nacional de processamento e dos operadores de comercialização e exportação. Segundo Albino, produtores, comerciantes, processadores e exportadores devem ser vistos como partes integrantes da mesma cadeia de valor.
Albino considerou igualmente importante fortalecer o quadro legal do subsector, destacando a aprovação do Regulamento da Lei do Caju pelo Conselho de Ministros, explicando, o novo quadro deverá clarificar regras e responsabilidades e melhorar o funcionamento do subsector, desde a produção até ao processamento e à comercialização.
Outro desafio apontado pelo ministro está relacionado com os riscos climáticos, incluindo o fenómeno El Niño e a possibilidade de ocorrência de secas em algumas regiões do país, por isso, para este subsector do cajú, defendeu maior atenção à produtividade, disponibilidade de água, maneio das plantas e reforço da capacidade dos produtores para enfrentar choques climáticos, de modo a aumentar a resiliência da cadeia de valor. (Antónia Mazive)

