Maputo (IKWELI) – O presidente da Fundação Internacional para a Sustentabilidade Ambiental e Territorial (FISAT), Julian Mora Aliseda, defendeu, durante a abertura do 11.º Congresso da organização, em Maputo, a necessidade de transformar o conceito de sustentabilidade em indicadores concretos e mensuráveis.
Segundo Aliseda, dados fiáveis são essenciais para orientar a planificação, o ordenamento territorial e urbano e responder de forma eficaz aos desafios ambientais e sociais.
O responsável observou que, apesar de o conceito de desenvolvimento sustentável ser amplamente utilizado, persistem diferentes interpretações sobre o seu significado. Por isso, defendeu a definição de indicadores que permitam avaliar, de forma objetiva, os progressos alcançados.
“Agora é o momento, em eventos como este, de definirmos quais são os indicadores que permitem medir”, afirmou, sublinhando que a medição não deve servir apenas para fins académicos, mas também como base para a tomada de decisões e para a planificação territorial.
Para Aliseda, a ausência de dados dificulta intervenções consistentes por parte das autoridades e instituições responsáveis pela gestão ambiental e territorial.
“Sem dados, não podemos intervir de uma maneira decidida e séria”, sublinhou o académico de nacionalidade espanhola.
O presidente da FISAT destacou ainda a importância da articulação entre o ordenamento territorial e a gestão ambiental como instrumentos fundamentais para enfrentar os desafios da sustentabilidade.
Por sua vez, o reitor da Universidade Joaquim Chissano, João Gabriel de Barros, afirmou que a concretização da sustentabilidade ambiental e territorial depende da capacidade de transformar princípios gerais em decisões fundamentadas e resultados verificáveis.
Segundo o reitor, a resiliência das comunidades às mudanças climáticas não pode ser avaliada apenas pela existência de planos de emergência ou pela capacidade de resposta após a ocorrência de eventos extremos. Defendeu, por isso, uma maior aproximação entre o conhecimento científico, a evidência empírica e a aplicação prática.
Barros considerou que o congresso deve constituir um espaço de análise crítica, partilha de experiências e identificação de soluções práticas que possam ser testadas e aplicadas em contextos reais.
O reitor destacou ainda que Moçambique oferece um contexto relevante para a investigação sobre sustentabilidade, resiliência e ordenamento do território, devido à diversidade dos seus sistemas costeiros, fluviais, agrícolas e urbanos, bem como à exposição a fenómenos climáticos extremos.
Para Barros, a investigação científica deve considerar as especificidades de cada território, uma vez que uma solução adequada para uma cidade pode não ser aplicável a uma comunidade rural.
Neste contexto, defendeu que o diagnóstico baseado em evidências científicas deve constituir a base para a definição de soluções territorialmente sustentáveis, tendo em conta as características específicas de cada região. (Antónia Mazive)

