Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte de Moçambique, registrou, de janeiro a setembro corrente ano, 4 127 casos de paciente com o cancro da mama, dos quais 396 foram já submetidos a tratamentos.
De acordo com a directora provincial de Saúde de Nampula, Selma Xavier, que falava na Sexta-feira (02) numa palestra inserida no âmbito do mês de conscientização contra o cancro da mama, o diagnóstico tardio da doença faz com que haja redução da hipótese de cura, além da desinformação e mitos, com destaque para a falta de conhecimento sobre os sintomas como nódulos e a ausência de uma rotina de autoexame.
“O cancro de mama e colo do útero continuam a representar um grave problema de saúde pública em Moçambique, o tratamento tardio desta doença, também, aumenta o sofrimento da mesma mulher, por isso durante o mês de Outubro, em coordenação com as várias instituições, levaremos a cabo a campanha de sensibilização e conscientização sobre a cancro da mama,” disse
Xavier ainda referiu que as actividades de conscientização sobre o cancro da mama não devem cingir-se ao mês. “O mês de outubro não deve ser apenas de campanha, garantir a sensibilização e prevenção da doença é uma responsabilidade coletiva, por isso gostaríamos de apelar as forças vivas da sociedade e aos profissionais de saúde a fim de garantir o rastreio e tratamento através da vacinação HPV. O cancro não afecta apenas a pessoa diagnosticada, também afecta toda a família.”
Aquela responsável ainda citou desafios de cunho cultural e económico para o rastreio precoce da doença.
Uma mulher que não quis revelar a sua identidade, referiu que após ser diagnosticada com o cancro da mama, constatou que os serviços de radioterapia ainda constituem desafio no país. “Fui diagnosticada com cancro em um estado avançado, após a descoberta vivi um momento de tensão e angústia, principalmente porque o país não dispõe de equipamentos para o tratamento, através da família e amigos próximos foi possível o apoio financeiro, tendo recorrido ao tratamento que custou mais 400.000,00Mt (quatrocentos mil meticais) no país vizinho Malawi, sem contar que enquanto ainda em Moçambique também tive que gastar mais dinheiro em busca de tratamento e mesmo assim sem solução.” (Nelsa Momade)

