Nampula (IKWELI) – A alfabetização de adultos deve deixar de ser vista apenas como um mecanismo de aprendizagem da leitura e da escrita e passar a ser encarada como uma ferramenta essencial para o exercício da cidadania e para a transformação social. A posição foi defendida durante um colóquio promovido pela Universidade Rovuma (UniRovuma), no último fim-de-semana em Nampula.
Organizado pelo Centro de Estudos em Políticas e Práticas Educativas (CEPPE), o encontro decorreu no âmbito da Semana Internacional de Alfabetização, sob o lema “Saber Ler e Poder Escolher, Alfabetização de Adultos para uma Cidadania sem Barreiras”, juntando académicos, alfabetizadores, estudantes, representantes da Direcção Provincial e membros do Governo.
A iniciativa procurou colocar em debate o contributo da educação de adultos para a inclusão social, participação comunitária e capacidade dos cidadãos de conhecerem e exercerem os seus direitos e deveres. Os participantes analisaram igualmente os progressos alcançados e os obstáculos que ainda dificultam a redução do analfabetismo.
O director do CEPPE, Prof. Feliciano José Pedro, considerou que saber ler e escrever representa uma capacidade fundamental para que o cidadão possa tomar decisões conscientes e participar activamente na sociedade. Segundo o académico, a alfabetização ultrapassa o domínio de competências básicas, assumindo importância estratégica para o desenvolvimento sustentável e o empoderamento das pessoas.
Na mesma perspectiva, a chefe da Repartição de Alfabetização e Educação de Adultos da Direcção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano, Ana Maria Jackson, defendeu uma abordagem contínua da alfabetização, centrada na autonomia e valorização das capacidades dos adultos. Para sustentar a sua posição, apresentou experiências de antigos formandos que, depois de frequentarem programas de alfabetização, chegaram a assumir posições de liderança nas suas comunidades.
A representante da UATAF, organização da sociedade civil que trabalha na área de alfabetização e educação de adultos, chamou atenção para a necessidade de políticas educativas capazes de alcançar grupos vulneráveis e pessoas com necessidades educativas específicas. A organização defende metodologias de ensino ajustadas às diferentes realidades e necessidades da população.
O debate também evidenciou que as elevadas taxas de analfabetismo que continuam a constituir um obstáculo ao desenvolvimento socioeconómico do país, exigindo respostas que envolvam o Estado, instituições de ensino, sociedade civil e outros parceiros.
No encerramento, os participantes defenderam o reforço do investimento na alfabetização e educação de adultos, bem como a continuidade da mobilização de parceiros estratégicos, numa perspectiva de construção de uma sociedade onde o acesso ao conhecimento permita aos cidadãos participar de forma mais activa e consciente na vida comunitária. (Malito João)

