Nampula (IKWELI) – O governo moçambicano pretende reforçar o papel do sector privado e dos actores económicos no desenvolvimento das zonas rurais, através da criação de melhores condições de acesso ao financiamento e do fortalecimento das cadeias de valor.
A posição foi defendida esta quinta-feira, (3) em Nampula, pelo ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, durante o seminário de divulgação da Linha de Financiamento a Empreendimentos Rurais (LFER).
Segundo Salim Valá, a LFER constitui um instrumento estratégico para aproximar o financiamento dos produtores, empreendedores e empresas que desenvolvem actividades económicas no meio rural, permitindo transformar o potencial existente nestas zonas em produção, emprego, rendimento e melhoria das condições de vida das famílias e comunidades.
O governante destacou que a iniciativa deverá contribuir para dinamizar as economias locais e criar oportunidades para micro, pequenas e médias empresas, empresas agregadoras e outros actores das cadeias de valor rurais. Para Valá, a transformação económica exige uma intervenção articulada entre o Estado, sistema financeiro, empresas, comunidades e parceiros de desenvolvimento.
“A inclusão financeira e a transformação estrutural da nossa economia não são tarefas para uma única instituição,” afirmou Salim Valá, defendendo maior coordenação, confiança, capacidade técnica e de gestão entre os diferentes intervenientes para garantir resultados concretos no meio rural.
Para impulsionar o sector privado rural, a LFER prevê três pilares, nomeadamente crédito bancário, mobilização de investimentos através de subvenções e assistência técnica e capacitação empresarial.
Valá apelou ainda às instituições financeiras a expandirem a sua presença territorial e criarem produtos ajustados à realidade da economia rural. “O rigor na análise do risco deve ser acompanhado pela procura de soluções que reduzam barreiras e permitam que projectos viáveis acedam ao financiamento.”
Às empresas agregadoras e de fomento, o ministro pediu a apresentação de projectos sólidos capazes de integrar pequenos produtores, criar emprego, introduzir tecnologia, facilitar o acesso aos mercados e gerar benefícios concretos para as comunidades. Já às instituições de base comunitária e de desenvolvimento local, atribuiu um papel importante na aproximação do financiamento aos grupos de poupança, associações de produtores, pescadores, agricultores e outros agentes económicos rurais.
O ministro sublinhou que o sucesso da LFER não deverá ser medido apenas pelo volume de dinheiro desembolsado, mas pelo impacto económico e social dos investimentos, incluindo empregos criados, participação de mulheres e jovens, produtores integrados, encadeamentos produtivos e melhoria das condições de vida. “O financiamento só cumpre a sua função de activador do desenvolvimento quando se converte em mais produção, maior produtividade, empresas sustentáveis, emprego digno e rendimento para as famílias,” concluiu Salim Valá. (Malito João)

