Nampula (IKWELI) – Já no Axinene, algumas mulheres pedem maior segurança naquele prostibulo, enquanto ainda exercem a actividade.
Segundo relatos recolhidos pelo Ikweli no local, nos últimos tempos, algumas pessoas que se fazem passar por clientes, depois de servidos os serviços, alegam ter esquecido o dinheiro em casa e, em outras ocasiões, ameaçam as trabalhadoras com materiais contundentes, acabando por apoderar-se dos seus bens e valores.
A situação, segundo as trabalhadoras, já se arrasta há bastante tempo, levando esta camada a pedir ajuda às autoridades e maior vigilância no local. As mulheres dizem que, apesar dos riscos, continuam naquela actividade por considerarem que é uma das formas que encontraram para garantir o sustento das suas famílias nas suas terras de origem.
Uma das trabalhadoras do sexo, de 19 anos de idade, contou ao Ikweli que entrou nesta actividade como alternativa à situação de sofrimento em que se encontrava, depois de perder os pais. “Perdi minha mãe lá em Molocué e me deixou com minhas irmãs e minha família não quer saber de nós, então estou nessa vida só para dar de comer minhas irmãs, mas às vezes é difícil trabalhar por causa dessa situação de bandidos. Às vezes te esperam na porta, você a trabalhar, então isso para nós é muito complicado, pedimos ajuda.”
Outra trabalhadora explicou que a insegurança tem aumentado nos últimos tempos, tornando difícil distinguir os verdadeiros clientes dos indivíduos que procuram roubar. “Agora as coisas estão a piorar aqui, o que temos mais são bandidos do que próprios clientes que tanto procuramos, isso nos deixa muito triste porque não ficamos em paz. Até agora não se sabe quem é cliente ou ladrão, porque às vezes te pagam, amigos dele chegam na hora se fazendo de ladrão, levam seu dinheiro.”
Valentim Armando, gerente do prostíbulo do Axinene, confirmou que o aumento da criminalidade tem afectado o funcionamento do estabelecimento e afugenta clientes. “Isso acontece muito e não só nas noites, então isso nos deixa muito preocupados nós como responsáveis da casa. Muitos quando vêm aqui nas noites parecem clientes, mas criam muita confusão nos quartos e algumas pessoas que criam essa confusão são daqui mesmo, outros são visitantes. Até já estamos a perder clientes por causa de medo. E algumas mulheres Malawianas já saíram daqui por causa dessas coisas, então estamos a pedir ajuda mesmo porque é demais essas coisas.”
O Ikweli apurou ainda que, no passado, cada trabalhadora do sexo contava com alguém responsável pela sua segurança durante a actividade. Contudo, devido às frequentes agressões protagonizadas por alguns homens, uma parte dos indivíduos que fazia a guarnição abandonou o serviço, deixando várias mulheres expostas aos riscos de violência e assaltos. (Malito João)

