Nampula (IKWELI) – A Igreja Católica em Moçambique está a trabalhar para harmonizar a forma como a liturgia é preparada e celebrada nas diferentes dioceses do país, depois de anos marcados por práticas e interpretações distintas.
A iniciativa está a ser conduzida pela Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), através da Comissão Nacional de Liturgia, que reúne cerca de 60 agentes pastorais das 14 dioceses, de 1 a 5 de Setembro, no Centro Polivalente de Marera, na Diocese de Chimoio.
Com o tema “O estágio da liturgia em Moçambique, alegrias e desafios”, o encontro pretende avaliar a realidade litúrgica nacional e identificar irregularidades que têm sido verificadas durante as celebrações.
Segundo o secretário da Comissão Nacional de Liturgia, Padre Ercílio Manhique, parte dessas situações resultam da falta de informação e formação adequada sobre o sentido da liturgia e do mistério central da fé cristã.
“Este encontro tem o grande objectivo de procurar saber como está a liturgia a nível de Moçambique. Surge na constatação de algumas irregularidades na celebração da única liturgia da Igreja. Notamos que algumas destas irregularidades derivam da falta de informação sobre aquilo que é a vivência do mistério central da fé, que é a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, que é o centro das atenções da nossa liturgia,” explicou o sacerdote.
A formação junta sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que integram as comissões de liturgia das arquidioceses e dioceses, numa tentativa de criar uma visão comum sobre a preparação e realização das celebrações litúrgicas em todo o território nacional.
Ao longo dos cinco dias, os participantes abordam temas como o canto litúrgico, o significado da dança litúrgica em Moçambique, o uso de instrumentos musicais e a relação entre a Bíblia e a liturgia. A Comissão Nacional pretende que a reflexão permita corrigir práticas que possam afastar as celebrações do seu verdadeiro sentido religioso.
“A parte dessas constatações, teremos aqui propostas para que realmente sejam superadas na vivência da nossa liturgia em Moçambique,” afirmou Padre Ercílio Manhique.
A expectativa da CEM é que o encontro resulte em linhas de acção capazes de orientar as dioceses na preparação e celebração da liturgia, evitando que as cerimónias assumam características de festas profanas e reforçando o seu carácter de celebração do mistério de Cristo.
“A expectativa é que, no fim deste encontro, nós possamos encontrar linhas de acção que ajudem para que possamos não só preparar bem as nossas liturgias, mas não deixar que as nossas liturgias sejam festas profanas, mas celebração do mistério de Cristo e fazer com que das nossas liturgias saia vida. Se calhar, futuramente, conseguiremos ter um território nacional de liturgia, esta é a nossa expectativa,” concluiu o secretário da Comissão Nacional de Liturgia. (Malito João)

