Nampula (IKWELI) – Pelo menos 10 estivadores, que operavam no mercado grossista do Waresta, na periferia da cidade de Nampula, perderam a vida, nos últimos tempos, alegadamente por consumo excessivo de bebidas de produção caseira, popularmente conhecidas como “vinho macua”.
Fontes próximas aos malogrados, apontam que os mesmos consumiam as tais bebidas sem antes tomar algum alimento.
A situação está a preocupar pessoas próximas dos malogrados, que acompanham com tristeza a perda de jovens que, segundo dizem, tinham condições para construir um futuro melhor. Para os entrevistados, o consumo excessivo de álcool tem contribuído para o agravamento da saúde e das condições de vida dos estivadores.
Osvaldo Orlando Xavier, um dos estivadores e consumidor de bebidas alcoólicas, lamenta a morte dos seus colegas e aponta a falta de alimentação como uma das principais causas do agravamento da saúde. “Temos um colega que também morreu ontem por causa de tuberculose. Ele estava doente e continuava a beber e ninguém lhe dava bola. Perdemos muitos colegas aqui por causa de beber e não se alimentar”, contou.
Osvaldo explica ainda que alguns jovens passam vários dias a consumir bebidas alcoólicas, sem cuidar da higiene pessoal e alimentando-se apenas de pão. “Eu bebo e tomo banho, mas outros podem ficar duas semanas sem tomar banho, a beber, e a alimentação deles é pão só. Então queremos qualquer tipo de apoio para essas pessoas”, apelou.
Sara Maurício, que também apresenta um estado de saúde debilitado, afirma que não pensa em abandonar o consumo de vinho macua por considerar que já perdeu a esperança de ter uma vida melhor. “Estou aqui com esses jovens porque não tenho mais nada a fazer lá no bairro. Tenho filhos e vejo pessoas cada dia a perder a vida, mas não tenho como deixar a bebida porque não vejo o que fazer”.
Por sua vez, Reginaldo Vivaldo, vendedor do mercado grossista de Waresta, considera preocupante a situação dos jovens que vivem e trabalham naquele espaço. Segundo ele, alguns são encontrados a dormir no lixo, numa mata próximo ao mercado do Weresta e outros enfrentam dificuldades para conseguir alimentação. “Para mim, que vejo de perto a vida desses jovens, é sentimental. Você encontra esses no lixo, aqueles que moram são encontrados nessa mata do Vieira, outros por causa da fome. É preciso pensar em ajudar esses jovens, porque alguns estão mesmo mal de saúde”, explicou.
A preocupação com o consumo de bebidas alcoólicas entre os estivadores de Waresta não é nova. No ano passado, o Ikweli noticiou uma situação semelhante, que retratava a vida de um grupo de jovens que enfrentava problemas de impotência sexual, associados pelos próprios envolvidos ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, sobretudo o vinho macua.
Segundo os relatos recolhidos pelo Ikweli, o número de estivadores no mercado grossista de Waresta tem vindo a reduzir com o passar do tempo, devido às mortes e ao agravamento das condições de saúde. Os trabalhadores e vendedores apelam à intervenção das autoridades, organizações sociais e outras entidades para apoiar esta camada da população e evitar que mais vidas sejam perdidas devido ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e à falta de alimentação adequada. (Malito João)

