INOOQ quer menstruação segura para mulheres moçambicanas

Nampula (IKWELI) – O Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ IP) em parceria com Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), realizou uma auscultação nesta quinta-feira (20) na cidade de Nampula concernente a proposta de elaboração de normas moçambicanas de produtos menstruais.

A iniciativa visa promover saúde, segurança e dignidade as mulheres e raparigas, assim como fortalecer o desenvolvimento de um mercado de saúde menstrual próspero e inclusivo, através de um processo participativo envolvendo instituições públicas, sector privado, academia, parceiros de desenvolvimento e sociedade civil.

Teresa Martins, directora-geral adjunta do INNOQ, disse que falar de produtos menstruais não é apenas falar de produtos, mas sim, de pessoas, mulheres, raparigas, de dignidade, igualdade e de qualidade de vida, pois todos os dias a camada feminina depende desses produtos para trabalhar, estudar, se deslocar e participar plenamente na sociedade.

“Os produtos menstruais são mais que requisitos técnicos, estamos a falar da possibilidade de cada mulher e cada rapariga viver o seu ciclo menstrual com segurança, tranquilidade, confiança e dignidade. É nesse contexto que a normalização assume uma dimensão que ultrapassa a definição dos requisitos técnicos, é estabelecer referências, criar confiança, proteger o consumidor e contribuir para um mercado mais seguro, responsável, colocando deste modo a qualidade menstrual ao serviço das pessoas,” disse.

Martins anotou que a igualdade do género passa também por garantir que mulheres e raparigas tenham condições de estudar, trabalhar e participar plenamente na sociedade sem que uma necessidade biológica natural se transforme numa fonte de constrangimento.

“Garantir produtos menstruais seguros e de qualidade é contribuir para uma sociedade mais justa, inclusiva e digna. A qualidade, a segurança, não podem ser um privilégio, mas uma garantia independente da sua condição económica, local onde vive ou das suas circunstâncias,” afirmou Teresa Martins.

A fonte exortou a cada interveniente que faça o seu trabalho onde instituições públicas devem trabalhar na promoção e acompanhamento, a academia na produção de conhecimento e investigação, a sociedade civil na sensibilização e defesa dos interesses das utilizadoras e as próprias mulheres como destinatárias da iniciativa.

Por sua vez, a representante do Ministério da Saúde (MISAU) Lina Teles, alertou que quando os produtos menstruais não têm qualidade as consequências são imediatas, como infecções, abandono escolar, entre outros problemas.

“O ministério saúde, entende que a proposta vai garantir que os produtos que entrem em Moçambique cumpram requisitos mínimos de segurança, higiene e informação ao consumidor. As normas devem incluir critérios claros, ausência de substâncias nocivas e rotulagem com instruções de uso em português,” disse.

A representante espera quinda que os produtos sejam acessíveis equitativamente sem colocar impasse a qualquer utente porque saúde e higiene menstrual salva vidas e reduz o absentismo escolar.

Já o director da indústria e comércio na província de Nampula, Jahamo Calima, argumentou que a indústria local não deve olhar apenas para a capacidade de produzir, mas produzir com qualidade, conquistar a confiança dos consumidores e competir num mercado cada vez mais exigente.  (Francisco Mário, foto: Hermínio Raja)

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