Nampula (IKWELI) – Alguns músicos da cidade Nampula dizem-se descontentes com a utilização, cada vez mais crescente, da Inteligência Artificial (IA) para gerar músicas e temem a desvalorização do talento humano e dos esforços de cada artista.
O músico e vocalista da Banda Marrove, Alcides Fernando, entende que a inteligência artificial pode ser um dos impulsionadores da preguiça entre os artistas. “O mercado musical está a ser comprometido por conta do uso abusivo da inteligência artificial, porque aquele que tenta engrenar na área acaba tendo preguiça de fazer suas próprias composições, e melodias, o que pode vir a matar a criatividade,” considerou Alcides.
O vocalista do Marrove já antevê a falta de espaço para os artistas no futuro. “Um dos problemas é que a inteligência artificial começa a criar preguiça no ser humano porque se formos a ver hoje, muitos já não pensam porque já tem algo que pensa por nós, cria dependência e também por causa desses processos de evolução corremos o risco de, nos próximos tempos, a própria classe artística, principalmente nós ligados a música, não termos espaços, uma vez que qualquer um pode se tornar músico pois a inteligência artificial vai criar e lançar no mercado,” realçou.
Por sua vez, o músico Agêncio João Abel, conhecido por Ageno, entende que as músicas feitas por inteligência artificial, aparentam ser boas, o que acaba sendo um desafio para os artistas. “As músicas que escutamos, como resultado da inteligência artificial, são bonitas e bem compostas, com uma boa métrica vocal que em algum momento mostra que nós temos que lutar para trabalhar daquela forma. Eu escuto as músicas de inteligência artificial e recebo como um desafio para lutar e tentar fazer do género, então, para os que são fracos e sem boa capacidade de compor ficam assustados, mas na verdade se cantarmos como deve ser haverá espaço de sermos recebidos,” sublinhou Ageno. (Francisco Mário)

