Nampula (IKWELI) – Pelo menos 14 líderes comunitários da Unidade Comunal de Micolene, no bairro de Muatala, posto administrativo com o mesmo nome, nos arredores da cidade de Nampula, denunciam casos frequentes de ameaças de morte e agressões físicas protagonizadas por consumidores de drogas.
A situação obriga-os a abandonarem as suas residências durante a noite por receio de ataques e passam em residências de seus familiares, amigos e conhecidos longe de suas casas.
Augusto Feda, líder do 2º escalão naquela circunscrição, foi que denunciou o facto Ikweli, e, segundo explicou, os episódios tiveram início durante as manifestações de outubro de 2024, mas agravaram-se nas últimas semanas, impedindo a liderança local de viver com tranquilidade e de desfrutar do convívio familiar, devido ao constante receio de assaltos e agressões.
De acordo com a fonte, só este ano quatro líderes comunitários foram agredidos e espancados gravemente enquanto exerciam as suas funções. Alguns tiveram de abandonar as suas residências por temerem novos ataques de indivíduos alegadamente consumidores de drogas, como a soruma e a conhecida droga “makha”, que estariam descontentes com as acções de combate ao consumo dessas substâncias e a criminalidade desenvolvidas pelas autoridades comunitárias.
Augusto Feda considera preocupante a onda de perseguições, ameaças de morte e agressões físicas contra os líderes comunitários, numa altura em que a liderança local, em coordenação com o posto policial comunitário, tem realizado ações de vigilância noturna para combater a criminalidade que tem semeado o terror naquela circunscrição.
“Estamos a enfrentar uma situação muito difícil por causa da criminalidade. Já não conseguimos trabalhar como devíamos para combater este fenómeno, porque recebemos constantemente ameaças de agressão física e de morte, sobretudo durante a noite. Já tivemos colegas que foram agredidos com catanas. Quando comunicamos os casos a polícia, muitas vezes os suspeitos não são capturados. Sofremos com indivíduos que consomem álcool e drogas, que já não respeitam a liderança comunitária. Basta saberem onde mora um líder para tentarem invadir a sua casa. Até agora, desconhecemos a verdadeira causa deste comportamento”, explicou Augusto Feda, líder comunitário do 2.º escalão.
Augusto Feda acrescentou que o agravamento das perseguições e ameaças também está relacionado com a escassez de meios de trabalho para os agentes da polícia comunitária, como armas, pistolas e outros equipamentos. “Já não conseguimos dormir em paz. Somos perseguidos e ameaçados por jovens consumidores de drogas e por indivíduos embriagados. Além disso, não temos meios para nos defender. Não dispomos de armas nem de pistolas. Quando um líder sai apenas com uma catana, corre o risco de lhe ser retirada e de ser atacado com a sua própria arma”, lamentou.
Na ocasião, a fonte apelou ao reforço da presença e do apoio da Polícia da República de Moçambique (PRM), com vista a garantir maior segurança aos líderes comunitários e protegê-los das constantes agressões. (Virgínia Emília)

