Mocuba (IKWELI) – A comunidade cristã no distrito de Mocuba, na província da Zambézia, está preocupada com o crescente número de praticantes de burlas cibernéticas, conhecidos popularmente como “badueiros”, situação que tem estado a desgraçar muitas famílias.
A preocupação foi manifestada no domingo (2) pelo pároco da Igreja Católica em Mocuba, Abel Canada, durante uma missa por si celebrada, tendo apelado mais atenção da população e maior envolvimento no combate à este mal.
“É triste ver como estamos a normalizar esta situação dos badueiros na nossa cidade. Vemos crianças a trazer motorizadas e carros para as nossas casas e não fazemos nada. Meus irmãos, o futuro dos nossos jovens está comprometido por causa do imediatismo. O dinheiro fácil está a levar os nossos filhos para um caminho sem volta, e nós estamos apenas a assistir. É preciso tomarmos medidas para salvar estas crianças.”, disse alertando que crianças estão a virar bandidos.
Segundo o sacerdote, a cidade de Mocuba tornou-se num terreno fértil de crime cibernético devido ao crescimento da prática conhecida como “Bado”.
Segundo o líder religioso católico, em plena via pública, é comum observar jovens com idades entre os 15 e os 20 anos a circularem com carros e motorizadas alegadamente adquiridos através de burlas cibernéticas.
Na mesma ocasião, a administradora do distrito de Mocuba, Adelina Tavares, reforçou a necessidade de maior vigilância por parte das famílias. “Temos de ser vigilantes e acompanhar as nossas crianças para que não se percam e não tenham o seu futuro comprometido”, fortificou a mensagem sobre a luta contra os badueiros.
O Ikweli ouviu o senhor Zainadine Ossumane, pai de um jovem alegadamente envolvido em burlas cibernéticas. Este lamentou e manifestou preocupação pelo facto de o seu filho ter abandonado a escola.
“O meu filho já não vai à escola. Fica trancado no quarto a criar perfis falsos e a enganar pessoas, fazendo-se passar por mulher para conseguir dinheiro. Já comprou duas motorizadas. Sempre que converso com ele e digo que essa vida não é boa, falta-me ao respeito. A internet veio para prejudicar a vida dos nossos filhos porque eles não a estão a saber usar. Pedimos a quem de direito que nos ajude a acabar com este mal que nos tira o sono.”
Segundo relatos recolhidos, para obter dinheiro de forma rápida e fácil, os chamados “badueiros” submetem-se a rituais junto de curandeiros, os quais, alegadamente, exigem sacrifícios. Há ainda relatos de que alguns acabam por perder a vida em consequência dessas práticas. (Fátima Mugaveia)

