Nampula (IKWELI) – A nutricionista Patrícia Chitive, fundadora da marca Nutri N’weti, uma iniciativa dedicada ao combate à desnutrição crónica em Moçambique através da promoção da educação alimentar e nutricional com recurso a alimentos produzidos localmente, defende a redução do consumo de caldos industrializados devido aos riscos que representam para a saúde das famílias consumidoras.
Falando ao Ikweli, na manhã desta quarta-feira (29), Chitive explicou que os caldos industrializados possuem elevados níveis de sódio e outros aditivos que, quando consumidos com frequência, aumentam significativamente o risco de hipertensão arterial e outras doenças crónicas.
“Esta iniciativa surge da minha carreira como nutricionista e também da observação da realidade alimentar do nosso país. A maior parte das refeições é preparada com recurso aos caldos industrializados. O nosso objetivo é desencorajar o consumo excessivo destes produtos para reduzir os índices de doenças como a hipertensão e as doenças cardíacas”, afirmou.
Patrícia Chitive anotou que, no seu trabalho de campo, um dos maiores desafios enfrentados na sensibilização da população é a comunicação, tendo apontado que enquanto os profissionais de saúde alertam para os riscos do consumo excessivo destes produtos, a publicidade promove os caldos como ingredientes indispensáveis para conferir sabor aos alimentos.
“A comunicação continua a ser o nosso maior desafio. Enquanto procuramos desencorajar o consumo excessivo dos caldos, os meios de comunicação divulgam publicidade que incentiva a sua utilização. Isso cria uma barreira na educação alimentar da população”, lamentou.
A nutricionista considera, igualmente, que as empresas fabricantes devem ser mais transparentes na informação prestada aos consumidores, permitindo-lhes fazer escolhas conscientes.
“Todo o alimento deve apresentar um rótulo claro com a sua composição nutricional. As empresas devem garantir que o consumidor tenha autonomia para decidir com base na informação disponível. Tal como acontece com as bebidas alcoólicas, que alertam para os riscos do consumo excessivo, os produtos alimentares também devem informar claramente sobre os possíveis impactos na saúde.”
Para combater o uso excessivo dos caldos industrializados, Patrícia Chitive tem desenvolvido acções de educação alimentar, sobretudo nas zonas rurais, onde, segundo disse, o caldo industrializado faz parte da alimentação diária de muitas famílias.
As actividades incluem demonstrações culinárias com recurso a alimentos produzidos localmente e o ensino da preparação de caldos naturais à base de ervas aromáticas e outros ingredientes acessíveis nos mercados locais.
A especialista alertou ainda que o consumo frequente destes produtos altera o paladar, tornando as pessoas dependentes do sabor artificial e dificultando a apreciação do sabor natural dos alimentos.
Na entrevista, a nossa fonte apelou às famílias, especialmente às donas de casa, para reduzirem o uso destes aditivos na preparação das refeições.
“Nós somos os principais responsáveis pela nossa saúde. Muitas doenças podem ser prevenidas através das nossas escolhas alimentares. Não é necessário recorrer aos caldos industrializados para garantir sabor na comida. Existem alternativas naturais, mais saudáveis e acessíveis”, recomendou. (Fátima Mugaveia)

