Disputa por clientes leva trabalhadoras de sexo macuas a ocupar espaço antes dominado por malawianas no Axinene

A disputa pelo mercado da prostituição no Axinene, considerado o maior centro de prostituição da cidade de Nampula, está a ganhar novos contornos. Nos últimos tempos, trabalhadoras de sexo sobretudo macua têm vindo a ocupar o espaço que, durante vários anos, foi maioritariamente dominado por mulheres de nacionalidade Malawiana.

Segundo apurou o Ikweli, em anos anteriores a actividade era exercida, em grande parte, por cidadãs estrangeiras, sobretudo malawianas.
Entretanto, esse cenário tem vindo a mudar com a crescente presença de mulheres moçambicanas, que reivindicam maior espaço no mercado.

Em declarações ao Ikweli, uma trabalhadora de sexo afirmou que a mudança resulta da necessidade de sobrevivência. “Já abrimos os olhos. Estamos a perder os nossos clientes por causa dessas estrangeiras. Não estamos a discriminar ninguém, mas também queremos sobreviver. Há dias em que uma pessoa passa a noite inteira sem conseguir nem 100 meticais. Precisamos ocupar o nosso espaço,” explicou.
A situação tem dividido opiniões entre os residentes da cidade de Nampula. Alguns entendem que a disputa representa uma forma de discriminação contra as cidadãs estrangeiras, enquanto outros consideram tratar-se apenas de concorrência num contexto de dificuldades económicas.

Para Mito Carlos, a atitude de algumas trabalhadoras do sexo moçambicanas é inadequada. “Lembro-me que quem iniciou esta actividade aqui foram as malawianas. Na minha opinião, deviam encontrar uma forma de convivência, em vez de querer expulsar outras mulheres. Esse comportamento é muito feio,” afirmou.

O Ikweli tentou igualmente ouvir a versão das trabalhadoras de sexo estrangeiras, mas sem sucesso. Algumas recusaram prestar declarações, limitando-se a dizer que não havia necessidade de expor a situação, sustentando apenas que “cada um faz o seu trabalho.”
O negócio de sexo na cidade de Nampula está a tomar contornos alarmantes, até 17 horas quase todos prostíbulos da praça ficam quase lotados devido a maior procura dos serviços daquelas mulheres. (Malito João)

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