Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN) registou 21 mortes de crianças por desnutrição durante o primeiro semestre de 2026, um aumento em relação às 19 verificadas no mesmo período do ano passado.
Os dados foram apresentados nesta terça-feira (28) durante uma conferência de imprensa, numa altura em que a unidade sanitária reforça o apelo à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença.
Segundo a médica pediatra, Dra. Amélia Raquel, o número de crianças internadas por desnutrição diminuiu. Nos primeiros seis meses de 2025, o HCN recebeu 481 crianças com este problema, enquanto no mesmo período de 2026 foram registados 316 internamentos. Ainda assim, a mortalidade aumentou, o que preocupa os profissionais de saúde.
O agravamento do número de óbitos está ainda, segundo a pediatra, relacionado com a chegada tardia das crianças ao hospital. “Muitas dão entrada em estado crítico e com várias complicações clínicas, reduzindo as possibilidades de recuperação, apesar dos esforços das equipas médicas.”
A especialista explicou que a desnutrição infantil resulta, principalmente, de práticas inadequadas de alimentação, como a ausência do aleitamento materno exclusivo e uma dieta pobre em nutrientes. Acrescentou que algumas crianças desenvolvem desnutrição devido a doenças congénitas ou crónicas, incluindo tumores e outras patologias que comprometem o seu estado nutricional.
Para inverter este cenário, o HCN recomenda que os pais e encarregados de educação cumpram rigorosamente as consultas de crescimento, controlo do peso e vacinação, permitindo identificar precocemente sinais de desnutrição e iniciar o tratamento antes do agravamento do quadro clínico.
Casos acompanhados naquela unidade sanitária mostram a importância da assistência especializada, pois uma mãe residente no bairro de Napipine relatou que a filha, nascida com problemas de saúde, apresentou melhorias após o internamento no HCN, enquanto outra, do bairro de Mutauanha, disse que a criança foi encaminhada ao hospital depois de sofrer diarreias persistentes durante cerca de dois meses sem evolução positiva no tratamento inicial.
Os profissionais de saúde defendem que a desnutrição infantil pode ser evitada com uma alimentação equilibrada desde os primeiros meses de vida, privilegiando alimentos nutritivos, consultas pré-natais durante a gravidez e o aleitamento materno exclusivo até aos seis meses. O HCN considera que estas medidas são fundamentais para reduzir a mortalidade infantil e garantir um crescimento saudável das crianças. (Malito João)

