
Maputo (IKWELI) – O Governo defendeu, esta segunda-feira (01), na capital do país o reforço da capacidade nacional de produção de vacinas veterinárias como forma de reduzir a dependência do mercado externo e garantir maior segurança sanitária no país.
A posição foi manifestada pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante a abertura da Reunião Nacional de Sanidade Animal, onde destacou os desafios globais no acesso a vacinas e a necessidade de fortalecer os serviços veterinários.
Durante a sua intervenção, o ministro afirmou que Moçambique deve investir no fortalecimento da capacidade interna de produção de vacinas veterinárias, sobretudo perante os constrangimentos que afectam o mercado internacional.
Neste âmbito, está previsto um investimento de cerca de 600 mil dólares norte-americanos, destinado à reactivação da capacidade nacional de produção e à contratação da produção de vacinas contra a doença de Newcastle para 2027.
“Queremos investir na nossa capacidade interna de produção de vacinas. Podemos produzir as vacinas de que Moçambique necessita; aquelas que temos capacidade de produzir, vamos produzi-las, e não depender apenas da importação, sobretudo quando não temos garantia de acesso atempado a vacinas de qualidade.”
Segundo o dirigente, os atrasos no fornecimento de vacinas, resultantes da escassez global destes produtos, têm condicionado a implementação de campanhas de vacinação em vários países, incluindo Moçambique.
De acordo com o ministro, os imunizantes estão a ser importados do Uruguai, uma vez que países da região, incluindo a África do Sul e o Botswana, enfrentam dificuldades de abastecimento.
E porque esta situação está a comprometer a vacinação, o Governo decidiu prolongar o período da actual campanha de vacinação de bovinos até 15 de Julho de 2026, com vista a garantir que todos os animais previstos sejam abrangidos.
A campanha contempla a vacinação de cerca de 2,4 milhões de bovinos contra o carbúnculo hemático e a febre aftosa, além de outras doenças que afectam a produção pecuária.
“Temos consciência de que o subsector pecuário registou um crescimento estimado em cerca de 4,5%, o que demonstra a sua importância crescente na economia nacional.”
Apesar desses avanços, o ministro alertou para os persistentes desafios sanitários, incluindo a febre aftosa, a teileriose, a peste suína africana, a dermatose nodular contagiosa, a doença de Newcastle em galinhas, a gripe aviária, as zoonoses e as doenças emergentes, reemergentes e transfronteiriças. (Antónia Mazive)
