Greve de trabalhadores volta a sufocar Faruk em Nacala

Nacala (IKWELI) – A situação dos funcionários do município de Nacala-Porto, em Nampula, atingiu um novo nível de tensão, depois de vários trabalhadores decidirem na última segunda-feira (30.03) permanecer nas instalações da autarquia durante a noite, como forma de pressionar para o pagamento de salários em atraso.

O grupo, visivelmente cansado, organizou-se para preparar o próprio jantar no local, transformando o espaço de trabalho em um cenário de resistência silenciosa.

Em causa estão três meses de salários em dívida, janeiro a março do ano corrente, uma realidade que tem vindo a agravar as condições de vida de dezenas de famílias que dependem exclusivamente desses rendimentos. 

Muitos funcionários relatam dificuldades em garantir alimentação, transporte e outras necessidades básicas, numa altura em que o custo de vida continua elevado.

Segundo apurou o Ikweli, a decisão de pernoitar no local não foi tomada de forma impulsiva. Trata-se de mais um passo num processo de reivindicação que já dura há meses e que, segundo os trabalhadores, não tem recebido a devida atenção por parte das autoridades municipais. 

Ao optarem por permanecer no recinto, os funcionários procuram dar visibilidade à sua situação e exigir respostas concretas.

Este não é o primeiro episódio de tensão entre os funcionários e a gestão municipal. Informações apontam que, num passado recente, alguns trabalhadores chegaram a ser detidos quando tentavam reivindicar os seus direitos, o que aumentou o sentimento de injustiça e revolta entre os colegas. 

O município, liderado por Faruk Momade Nuro, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a situação, o que contribui para a incerteza e frustração dos trabalhadores. A ausência de esclarecimentos deixa em aberto várias questões, sobretudo sobre quando e como os salários em atraso serão regularizados.

Enquanto aguardam por uma resposta, os funcionários seguem firmes no local, unidos pela mesma causa. Mais do que salários, dizem lutar pela dignidade e respeito no exercício das suas funções, numa batalha que já ultrapassa o plano laboral e toca profundamente o lado humano de cada um deles. (Malito João)