Nampula prevê reduzir desnutrição crônica dos actuais 46.7% para 10% até 2029

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Nampula (IKWELI) – O director provincial da Agricultura e Pescas de Nampula, Manuel Chicamisse, disse na manhã desta segunda-feira (27), que a província vai sair dos actuais 46.7% de desnutrição crônica para 10% até 2029, um dado que considera complicado alcançar, mas que garante estar em curso esforços multissectoriais para o efeito.

Chicamisse falava durante a convenção nacional promovida pela organização não governamental AGRA, subordinada ao tema troca de experiência sobre riscos, adaptação climática, criação de resiliência, e estudo de cadeias de valor em Nampula.

“A província tem uma taxa de desnutrição crônica de 46.7%, e a nossa luta é reduzi-la em 10% até 2029. É uma tarefa difícil e deve-se enfrentar questões de mudanças climáticas, e é neste contexto que a adaptação climática e criação de resiliência, tornam-se prioridades estratégicas para a província e para o país como um todo,” disse Chicamisse.

O dirigente, recordou ainda os impactos que as mudanças climáticas trouxeram para a agricultura na província, tendo referido que “Com a passagem do Chido, Dikeledi, e JUDE, sentimos um impacto que afectou cerca de 36 mil toneladas de culturas diversas, das 13 milhões de toneladas que a província produz, aparentemente, pode ser um impacto baixo, mas para as populações que dependiam daquelas produções o impacto foi agressivo, e também vivemos situações em que as nossas infraestruturas rodoviárias, sofreram danos.”

Para o futuro, Chicamisse revela estratégias a serem adoptadas para reduzir o impacto das mudanças climáticas na agricultura, dentre as quais, “o uso de sementes melhoradas e resilientes a seca, diversidade de culturas, rotação com leguminosas, treinamento dos produtores e boas práticas de conservação do solo, reforço das cadeias de valor do milho.”

Já o líder de programas nacional da Nova Aliança para Revolução Verde em África (AGRA, na sigla inglesa), Benvindo Verde, explicou que o evento tem em vista permitir que os produtores tenham acesso aos mercados, mas para isso, “é preciso que os produtores tenham produto para levar aos mercados, então há necessidade de aumentar a produtividade desses produtores, mas por causa do impacto das mudanças climáticas e os factores climáticos, observamos que há necessidade de contribuir para a resiliência desses produtores ao longo dos anos e num pano de fundo temos o foco de garantir que boa parte desses produtores sejam jovens e abracem a agricultura como meio de gerar receita.”

Para que os objectivos do projecto sejam alcançados, Verde revela um financiamento de “25 milhões de dólares, e actualmente estamos num investimento de 14 milhões de dólares em todos os programas que temos, e para o corredor de Nacala estamos num investimento de 2 milhões de dólares, enquanto que Zambézia perto de 2 milhões de investimento,” disse, destacando que “actualmente trabalhamos em quatro corredores, como de Nacala, incluindo Nampula, Niassa e alguns distritos da província de Cabo Delgado, o vale do Zambeze que é basicamente a província da Zambézia, o corredor da Beira que cobre as províncias de Tete, Manica e Sofala, e temos intervenções no corredor do Limpopo que cobre a província de Inhambane.”

Refira-se que a Agra é uma instituição que funciona no modelo de subvenções em parceria com instituições locais e algumas internacionais, que têm a função de trabalhar com produtores e facilitar a sua ligação com os mercados existentes. (Felismina Maposse)

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