Nampula (IKWELI) – Uma operação conjunta da Polícia da República de Moçambique (PRM) e Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, resultou no desmantelamento de mais uma boca de fumo no bairro de Namicopo, na periferia da capital provincial, e na detenção de duas cidadãs, por sinal mãe e filha.
A operação é no âmbito da campanha dos 90 dias de luta contra o tráfico e consumo de drogas lançada pelo governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula.
Segundo sabe o Ikweli, a detenção teve palco no dia 13 do corrente mês de maio e as indiciadas, respectivamente de 42 e 22 anos de idade, lideravam a boca de fumo em alusão.
A boca de fumo tinha sido, previamente, mapeada com base em denúncia e na posse das duas mulheres foram recolhidos 4 quilogramas de metanfetamina, na fórmula popularmente conhecida por “makha”, um pacote contendo um produto branco que se presume ser cocaína, com peso estimado em 1kg, 4 carimbos com designação usados pelos narcotraficantes “999” “777”, uma balança electrónica de precisão usada para quantificar drogas, uma picareta, dois rolos usados de cola, três facas, utensílios usados para administração (consumo) da droga (05 isqueiros, 03 marcadores, 04 pilhas pequenas e um par de luva), dois rolos de plástico, uma pasta cor azul, um invólucro de munição de pistola, 04 sacolas vazias, um bloco de notas, um pente, algodão e um saco vazio. (Redação)
Mulevala (IKWELI) – A população da vila de Mulevala, localizada no nordeste da província da Zambézia, no centro de Moçambique, vive dias difíceis desde que o país começou a enfrentar a crise de combustíveis, uma situação que está a criar impactos negativos no seio das suas actividades, com destaque para tudo que depende dos transportes.
A semelhança de alguns distritos da Zambézia, como por exemplo, a vila de Alto Molócuè, onde a situação encontra-se caótica, no distrito de Mulevala o problema agrava-se ainda pela ausência total de bombas, uma vez que os revendedores conseguiam em alguns pontos circunvizinhos e com o problema actual, veio a piorar.
“A situação está péssima mesmo sobre gasolina. Só é possível comprar a gasolina por 400,00Mt (quatrocentos meticais) por litro a 500,00Mt (quinhentos meticais). Pior ainda que aqui não existe bomba, os revendedores compravam nos distritos vizinhos para venderem aqui nos galões, por isso a situação não está bem,” disse Elísio Armando, residente da vila de Mulevala.
Segundo a fonte, “automaticamente subir táxi de mota não está fácil, por exemplo, da vila de Mulevala até Mussaraua [cruzamento da EN1], uma distância de 50Km (cinquenta quilómetros) custa 750,00Mt (setecentos e cinquenta meticais) a 800, 00Mt (oitocentos meticais). Antes do problema da falta de gasolina custava 150,00Mt (Cento e cinquenta meticais) a 200, 00Mt (duzentos meticais).”
“Pedimos para que seja resolvida está situação e se possível termos uma bomba porque mesmo a crise terminar, aqui sem bomba ainda continuamos a sofrer visto que os revendedores procuram ganhar lucro,” frisou um dos residentes da vila.
Por enquanto, de acordo com os nossos entrevistados não se sabe quando será resolvido o problema, apesar dos esforços dos comerciantes locais para trazer combustível ao distrito. (Francisco Mário)
Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Migração (SENAMI) na província de Nampula repatriou, durante o mês de Abril, 23 cidadãos estrangeiros por permanência ilegal em território moçambicano. A informação foi avançada com exclusividade ao Ikweli pela porta-voz da instituição, Enercia Nota.
Segundo a responsável, o repatriamento resulta das acções de fiscalização que vêm sendo intensificadas em diferentes pontos da província, com o objectivo de combater a imigração clandestina e garantir o cumprimento das normas migratórias no país.
“Este trabalho tem como objectivo principal o desencorajamento da imigração clandestina e nesta senda registou-se no mês em alusão um total de 208 (duzentos e oito) acções de fiscalização contra 151 (cento e cinquenta e um) de igual período de 2026. Como consequência foram interpelados 3.315 (três mil e trezentos e quinze) cidadãos contra 3.142 (três mil cento e quarenta e dois) de igual período de 2026, retidos sete contra cinco e repatriados à procedência 23 (vinte e três) contra 24 (vinte e quatro) de igual período”, explicou Enercia Nota.
A porta-voz do SENAMI acrescentou que, para além das operações de fiscalização, a instituição tem vindo a desenvolver campanhas de sensibilização junto das comunidades, visando consciencializar os cidadãos sobre os perigos e consequências da imigração ilegal.
“Mobilizar cidadãos no uso de intermediários para tramitação de documentos migratórios, o auxílio à migração clandestina, as consequências de transportar cidadãos estrangeiros indocumentados, entre outras infracções que possam perigar a nossa pátria moçambicana”, afirmou.
A Direcção Provincial do Serviço Nacional de Migração em Nampula aproveitou ainda a ocasião para apelar aos cidadãos estrangeiros que se encontram em situação irregular no país a apresentarem-se voluntariamente às autoridades migratórias para a regularização da sua permanência. (Malito João)
Nampula (IKWELI) – O Governo do Distrito de Memba, em parceria com a Visão Mundial, vai, nos próximos 6 meses, apoiar pelo menos 2 mil famílias, o correspondente a um universo de 10 mil pessoas, através de assistência alimentar às vítimas do terrorismo naquela circunscrição.
Trata-se do projecto de emergência denominado OCHA, que prevê abranger um total de 12 comunidades, na sua maioria do posto administrativo de Mazua, cujas famílias afectadas pelo terrorismo no ano passado enfrentam situação de insegurança alimentar.
Segundo os responsáveis, pretende-se apoiar as famílias que realmente sofrem devido ao terrorismo. “Temos conhecimento de que algumas pessoas se deslocaram do distrito de Memba, concretamente para Alua, Namapa, Nacarôa, Nacala e outros distritos, em situações de vulnerabilidade. Também o apoio vai estender-se para aqueles que foram assolados pelos eventos climáticos, com destaque para o último ciclone JUDE”, disse Manuel Cintura, administrador de Memba.
Segundo esta fonte, a assistência alimentar é composta por cereais, óleo alimentar, sal e outros produtos. “Este apoio para o distrito é um alívio e constitui um balão de oxigénio para aqueles que realmente carecem”, sublinhou.
Manuel Cintura aponta os postos administrativos de Lúrio, Xipene e Mazua como locais onde, por motivos de ataques terroristas, a população teria abandonado as suas residências em busca de segurança. (Nelsa Momade)
Nampula (IKWELI) – O governo distrital da Ilha de Moçambique reafirmou o seu compromisso no combate ao consumo e venda de drogas, vulgarmente conhecidas por “makha”, através de uma marcha de repúdio realizada no último fim-de-semana.
A actividade reuniu membros do Governo Distrital, jovens, estudantes, organizações da sociedade civil e munícipes, numa demonstração de união e consciência colectiva em defesa da juventude e da saúde pública.
A marcha teve início na entrada da zona insular e percorreu vários pontos da cidade até culminar na zona do campo de Futebol Onze, junto à Fortaleza de São Sebastião, num ambiente marcado por cânticos de sensibilização e mensagens de repúdio ao consumo de drogas.
Na ocasião, o Secretário Permanente Distrital, Jasmim Raúl Abacar, agradeceu a forte adesão dos participantes e destacou a importância do envolvimento comunitário na luta contra o tráfico e consumo de estupefacientes.
O dirigente anunciou igualmente a realização de uma nova marcha de sensibilização no próximo dia 17 de Maio de 2026, na zona continental do distrito.
A iniciativa enquadra-se nas acções da campanha “90 Dias STOP MAKHA”, promovida pelo Governador da Província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, com vista à prevenção e combate ao consumo e tráfico de drogas na província. (Malito João)
Nampula (IKWELI) – A Inspeção dos Recursos Minerais e Energia em Nampula informou, em sessão do Conselho dos Serviços Provinciais de Representação do Estado (CSPRE), que a província dispõe de combustíveis suficientes para fazer face a demanda.
Adelto Cumbana, delegado da Inspeção de Recursos Minerais e Energia em Nampula, disse na terça-feira (12) que, neste momento, existem 51 camiões de combustível, com capacidade entre 20 mil e 50 mil litros, abastecidos a partir da cidade de Nacala, assegurando uma cobertura de 90% dos 53 postos de abastecimento de combustível existentes ao nível da cidade de Nampula, sendo que apenas dois ainda não receberam o devido carregamento.
Esta fonte referiu também a existência de um navio com 10 milhões e 600 mil litros de gasolina, com capacidade para abastecer a província de Nampula e a região norte do país em geral, aguardando apenas autorização das autoridades competentes para proceder ao descarregamento.
Durante a sua intervenção, a fonte avançou que decorrem estudos para encontrar soluções que permitam ultrapassar a situação nos próximos dias, antes do esgotamento dos primeiros stocks, sem, contudo, avançar um período específico. Acrescentou que já foi efectuado o pagamento à Transcombustível, garantindo a circulação de vários camiões de combustível a partir dos terminais de Nacala em direcção à cidade de Nampula.
Apesar da confirmação do Governo sobre a existência de combustível suficiente nesta parcela do país, o Ikweli constatou que continua a verificar-se, na cidade de Nampula, grandes números de automobilistas de transporte semi-colectivo de passageiros, moto-taxistas e até vendedores informais de combustível, vulgarmente conhecidos como operadores do mercado negro, portando recipientes plásticos nos postos de abastecimento.
Um aviso ao mercado informal
Cumbana disse que em duas semanas já não se vai tolerar que vendedores informais continuam a vender, sem segurança nenhuma, combustível nas proximidades das estações de abastecimento, também conhecidas por bombas.
Em coordenação com a edilidade da cidade de Nampula, esta fonte garantiu que serão criadas equipas para travar o fenómeno.
Por outro lado, o interlocutor recordou que a venda informal de combustível em Nampula ganhou velocidade em 2022. (Virgínia Emília)
Nampula (IKWELI) – A Okhala Wamiravo, uma organização de defesa e proteção dos direitos da criança, denúncia haverem menores que sofreram nas manifestações pós-eleitorais e que não têm tudo assistência da Polícia da República de Moçambique (PRM), pois foram agentes da corporação que atiraram contra elas.
As vítimas são da idade compreendida entre 10 e 13 anos.
Mito Carvalho, director executivo da referida agremiação, disse ao Ikweli que todas estas crianças vivem no distrito de Nacala.
Para além de Nacala, Carvalho disse que outras crianças, também, sofreram nas mesmas circunstâncias na cidade de Nampula e ainda clamam por assistência médica e medicamentosa.
Para suprir as necessidades dessas vítimas, a Okhala Wamiravo, com apoio de parceiros, incluindo o governo, tem providenciado apoios multiformes a elas. (Virgínia Emília)
Nampula (IKWELI) – O Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saúre, manifesta profundo pesar pela morte de Johan Viljoen, trabalhador humanitário e antigo Director do Instituto para a Paz Denis Hurley, descrevendo-o como “um verdadeiro irmão e amigo” que dedicou a sua vida ao serviço dos pobres, deslocados e marginalizados em Moçambique.
Numa mensagem de condolências dirigida à Conferência dos Bispos Católicos da África Austral (SACBC), o Arcebispo recordou o primeiro encontro com Johan Viljoen durante uma visita de solidariedade realizada em 2019 à Diocese de Pemba, numa altura em que o norte de Moçambique enfrenta uma grave crise humanitária provocada pelos ataques armados.
“Foi com profunda tristeza e consternação que tomei conhecimento do inesperado falecimento do Sr. Johan Viljoen, refere a mensagem, acrescentando que, desde aquele encontro, Viljoen tornou-se não apenas um incansável colaborador da Caritas da Arquidiocese de Nampula, mas também um verdadeiro irmão e amigo desta Arquidiocese e para mim pessoalmente.”
Os bispos moçambicanos reconhecem, igualmente, o contributo significativo de Johan Viljoen para a Igreja Católica em Moçambique, sobretudo através da sua colaboração com estruturas locais da Caritas e projectos humanitários voltados para comunidades afectadas pela violência, deslocamento forçado e pobreza extrema.
“Embora estivéssemos cientes dos seus recentes desafios de saúde, a sua partida deixa um vazio que só a fé na Ressurreição pode consolar”,
sublinha a mensagem.
“Em nome da Conferência Episcopal de Moçambique, da Caritas de Nampula e especialmente em nome dos pobres a quem serviu tão fielmente, os bispos apresentaram condolências à SACBC, ao Instituto da Paz Denis Hurley e à família do malogrado. A mensagem termina com uma oração para que Deus lhe conceda a coroa reservada para aqueles que, com muito amor e humildade, dedicaram suas vidas aos marginalizados e aos que não têm voz” concluiu Saure.
Nascido em Nairobi, no Quénia, a 11 de Março de 1961, Johan Viljoen cresceu em Pretória, na África do Sul, onde estudou Direito na Universidade de Pretória antes de integrar a Força Aérea Sul-Africana. Posteriormente, dedicou-se aos estudos teológicos e ao ministério anglicano, sendo recebido na Igreja Católica em 1991, enquanto trabalhava com refugiados através do Escritório de Migrantes e Refugiados da SACBC.
Ao longo da sua trajectória, Johan Viljoen destacou-se pelo trabalho humanitário desenvolvido em Moçambique, Angola e África do Sul, através do SACBC Refugee Bureau e do Jesuit Refugee Service, apoiando refugiados e comunidades vulneráveis afectadas por conflitos e crises sociais.
Viljoen também teve um papel importante na resposta da Igreja Católica à crise do HIV/SIDA na África Austral, exercendo funções de Vice-Director e Gestor Sénior do Programa do Gabinete de SIDA da SACBC. Sob a sua liderança, diversos centros de saúde católicos expandiram programas de tratamento e assistência que beneficiaram milhares de pessoas vivendo com com a “doença”.
Em 2017, assumiu a direcção do Denis Hurley Peace Institute, tornando-se uma voz respeitada da Igreja Católica na promoção da paz e na análise de conflitos em África, com destaque para os conflitos em Moçambique, Sudão e República Democrática do Congo.
A missa de réquiem de Johan Viljoen foi celebrada nesta quarta-feira, 13 de Maio de 2026, às 10h00, na sede da SACBC, Khanya House, em Pretória, conforme os seus últimos desejos. A celebração será transmitida em directo na página oficial da SACBC no Facebook, permitindo que fiéis e amigos de vários países acompanhem as cerimónias em oração pelo descanso eterno da sua alma. (Malito João)
Nampula (IKWELI) – O coordenador distrital do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) em Nampula, Paulino Armando, afirma que Moçambique é um país livre, democrático e devem ser respeitadas as diferentes opiniões dos cidadãos e não silenciar aquele que expõe suas crenças.
Armando falava numa entrevista exclusiva ao Ikweli nesta quarta-feira (13), em reacção ao assassinato do coordenador daquela formação política de Chimoio, Anselmo Vicente, onde lamentou o sucedido, tendo considero que os membros da ANAMOLA são perseguidos supostamente todos os dias, o que não vai de acordo com os princípios democráticos do país.
“Eu não sei porque foi assinado o multipartidarismo, para a criação de mais partidos políticos porque o que estamos a ver nos últimos dias, basta expressar uma opinião, você é conotado, perseguido e assassinado, sabendo que todos os moçambicanos gozam de liberdade de expressão. Portanto nós repudiamos veementemente essa forma de fazer a democracia,” disse Armando.
“Nós esperamos o que aconteceu com o nosso colega e reafirmo o repúdio, se é para acabar com os partidos políticos em Moçambique, que se faça de uma única vez. Estamos num país de multipartidarismo, então, não se pode silenciar alguém por falar aquilo que não é do nosso agrado, mas sim ouvir e aproveitar alguns conceitos e não aniquilar,” frisou.
Todavia, Armando reafirma a prontidão dos membros do partido em continuar com os trabalhos políticos, apesar das mortes pois, “mata um do ANAMOLA, nascem 1000 (mil), nós estamos fortes, por isso ontem (12.5) homenageamos o nosso colega ora falecido,” realçou. (Francisco Mário)
Nampula (IKWELI) – Os moradores da zona verde da cidade de Nampula, concretamente no bairro de Namutequeliua, posto administrativo de Muhala, denunciam a falta de contentores e de espaços apropriados para a deposição de resíduos sólidos, situação que está a levar a população a usar as pontecas como locais improvisados para o depósito de lixo.
A prática, segundo os residentes, tem criado sérios problemas ambientais que afectam a saúde pública, sobretudo em períodos chuvosos, quando os resíduos impedem a circulação normal da água e aumentam o risco de propagação de doenças.
Mário João, morador da zona conhecida por ponte Amurane, afirmou que a comunidade se sente esquecida pelas autoridades municipais e diz que a situação preocupa os residentes há vários anos.
“Temos acompanhado os serviços do município na cidade, mas aqui na zona verde só vemos os dirigentes no tempo da campanha eleitoral. Não temos um local apropriado para depositar o lixo. Colocar o lixo debaixo da ponte foi a forma que a comunidade encontrou para evitar deixá-lo ao ar livre, mas isso também traz prejuízos, porque quando chove a água não passa e aumenta o risco de doenças”, lamentou.
A chefe do quarteirão 13, Mutomote A, Deolinda José dos Santos, explicou que o problema persiste há cerca de cinco anos e que várias reclamações já foram submetidas às autoridades locais sem que haja uma solução concreta.
“O chefe do posto tem conhecimento desta situação. Já apresentámos várias reclamações, mas há cerca de cinco anos que a população continua a pedir ajuda sem obter solução. Por isso, o lixo acabou por transformar-se em alicerce da ponte”, afirmou.
Outros membros da comunidade, identificados como Gil e Ussene, também condenaram a deposição de lixo nas pontecas, considerando a prática perigosa para a saúde pública e para a circulação da água “Quando o lixo bloqueia a passagem da água, os moradores ficam expostos a várias doenças. Pedimos às autoridades municipais que encontrem uma solução para este problema”, apelaram. (Malito João)