UniRovuma precisa de espaço físico para montar laboratórios de ponta

Nampula (IKWELI) – O reitor da Universidade Rovuma (UniRovuma), em Nampula, Prof. Doutor Mário Jorge Brito dos Santos, revelou que a instituição que dirige dispõe de equipamentos laboratoriais avaliados em cerca de 600 milhões de meticais, mas enfrenta falta de espaço físico para a montagem do mesmo.

O reitor da UniRovuma disse que a situação da falta de espaço físico deixa a “desejar”, dada a importância do uso atempadamente daquele material.

“Nós tínhamos dito que tínhamos um investimento muito grande e os contentores com laboratório de engenharia mecânica, de várias áreas da mecânica, várias áreas de engenharia elétrica, engenharia civil também, às suas várias áreas, estão a chegar. São, na realidade, oito contentores de quarenta pés em materiais de laboratório, num investimento só de projectos que submetemos ao nível nacional e internacional. Conseguimos ganhar com vários parceiros, estimado em 600 milhões de meticais. Neste momento, já recebemos seis dos oito contentores de quarenta pés.”

Brito explicou que, por falta de espaço físico, depois de receber os seis contentores, a universidade teve de desocupar nove salas de aulas para alocar parte do material.

“E queremos desde já pedir o apoio à sociedade civil, ao empresariado, a todos os outros actores que possam ajudar para que tenhamos algum fundo e construam connosco pavilhões. Temos planta para podermos montar lá os laboratórios.  Porque os contentores com equipamentos já vieram, já descarregaram. Estão a chegar contentores para completar, um vem da Alemanha e outro terá que vir, em princípio, da Índia. Então, estamos à espera desses dois contentores de quarenta pés que faltam. É preciso que tenhamos um espaço físico onde esse equipamento todo deve ser montado e nós estamos a nos deparar, neste momento, com falta de espaço físico para montar. Há instituições que têm espaço físico, mas não têm equipamento para montar. Nós conseguimos, com o nosso corpo docente e com todo esforço que estamos a fazer, o equipamento, mas não conseguimos o espaço físico.”

O reitor acrescentou que a falta de espaço físico está associada ao cancelamento do orçamento do Estado destinado às universidades, sobretudo na componente de construção.

“Porque nos últimos anos isso é sabido: o Orçamento do Estado prevê a rubrica de investimento, não prevê a rubrica de construção. Não está a se dar esse orçamento. Então, nós temos esse equipamento e não temos onde montar. Temos esses laboratórios e não temos onde montar. Neste momento, deixamos arrumados.”

Outra preocupação apontada pela reitoria é o défice de salas de aulas, situação que também afecta o funcionamento normal da instituição.

“Temos défice de salas de aula. Estamos a precisar de salas de aulas para poder iniciar o ano lectivo na paz e na tranquilidade, mas não temos. Onde guardar esse material também não podemos estar ao relento. Não poderíamos desperdiçar, porque os docentes fizeram muito esforço nos últimos quatro, três anos, a concorrerem projectos nacionais e internacionais, e parceiros que responderam cabalmente, como o Banco Mundial.”

Com a chegada dos outros contentores restantes, a UniRovuma teme que o equipamento continue armazenado por tempo indeterminado, comprometendo o seu uso para a formação prática dos estudantes. (Malito João)

Funerais de vítimas de cólera tornam-se em focos de contaminação da doença em Nampula 

Nampula (IKWELI) – A Directora Provincial de Saúde (DPS), Selma Xavier, disse, na tarde desta terça-feira (17), que participar em funerais de pessoas que perderam a vida por cólera constitui perigo, por haver facilidade de contaminação pela doença.

Em reunião provincial sobre a cólera, dirigida pelo governador Eduardo Mariamo Abdula, a DPS informou que a prevenção e combate a doença enfrenta desafios ligados a desinformação, sobretudo nos distritos de Nacala, Nacala-à-Velha, Mossuril e Mogincual.

Nesses distritos, Xavier explicou que, também, há fontes de água contaminadas e que a persistência do fecalismo a céu aberto constitui entrave, tanto é que, também, nos mesmos pontos, a contaminação, na actualidade acontece de pessoa por pessoa em contacto.

Para fazer face ao combate e prevenção da cólera, Abdula tem vindo a mobilizar as várias forças vivas na província para a empreitada.

A Academia Militar Samora Moises Machel é uma das forças mobilizadas e, segundo o seu representante, os militares têm vindo a sensibilizar as comunidades na mudança de comportamento. 

Esta fonte referiu haver resistência em Nacala e Mossuril em acatar a informação, mas afirmou que foi explicada a comunidade sobre os perigoso da doença e que ela não é invenção das autoridades.

Eduardo Mariamo Abdula reconhece o problema da desinformação sobre a cólera na província, por isso pediu a intervenção de todos, sobretudo as entidades com influência nas comunidades, como líderes comunitários e religiosos, bem como o sector empresarial.

“Precisamos da influência que os líderes religiosos e comunitários e o sector empresarial tem nas comunidades para criar mecanismos de melhoramento das nossas comunidades,” apelou o governador.

Abdula, também, colocou a reflexão sobre “pensarmos numa comissão que reúne permanentemente com o sector da Saúde e trimestralmente com o governador. Só discutimos a questão da cólera quando  estamos no pico da doença. Precisamos melhorar o nosso nível de acção que está muito baixo, muito baixo, temos que dar a mão a palmatória.”

E os líderes religiosos mostraram cometimento para esta batalha, comprometendo-se a incluir a temática nos seus locais de culto.

Quem, também, assegurou disponibilidade em contribuir na prevenção e combate à cólera é a Universidade Lúrio, que esteve representada na reunião pela directora da Faculdade de Ciências da Saúde, Bainabo Sahal.

De acordo com o último Boletim da Cólera, nas últimas 24h, a província registou 45 casos, com um óbito no distrito de Nacala.

No mesmo período, o distrito de Monapo, novo na tabela, registou 12 casos.

Desde a sua eclosão, Nampula já registou 2341 casos da cólera, com um total de 32 óbitos, cuja maioria ocorreu no meio extra-hospitalar. (Redação)

Kóxukhuro denuncia suposta extorsão, torturas e baleamentos em esquadras da PRM em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Associação Kóxukhuro, organização de defesa e promoção de direitos humanos, submeteu, na manhã desta segunda-feira (16), uma participação criminal junto da Procuradoria Provincial da República de Moçambique em Nampula, contra alguns membros da Polícia da República de Moçambique (PRM), denunciando alegados actos ilícitos praticados por agentes da corporação durante os meses de janeiro e fevereiro.

Falando em conferência de imprensa, Gamito dos Santos, presidente da agremiação afirmou existir um esquema de corrupção instalado em algumas subunidades policiais na cidade de Nampula, onde cidadãos indefesos estariam a ser alvo de extorsão, através de cobranças ilícitas e outras práticas consideradas abusivas.

A organização denunciou ainda supostos casos de tortura e baleamentos ocorridos no interior de algumas esquadras, envolvendo detidos que, em certos casos, estariam sem acesso a cuidados médicos, situação que, na sua óptica, configura graves violações dos direitos humanos.

“Nós acabamos de submeter dois documentos, são duas participações, as duas contra o comandante da 2ª Esquadra, porque ele está sendo acusado de orquestrar ou melhor dizer de instalar um sistema interno na 2ª Esquadra de confissão por tortura. Primeiro temos um caso de quatro jovens que foram detidos no dia 28 de Janeiro, essas pessoas residem no bairro dos Belenenses, foram torturados gravemente para confessar um crime que supostamente estes não cometeram e estes indivíduos foram soltos mediante a um esquema de corrupção, um deles pagou cerca de 80.000,00Mt (oitenta mil meticais) e outro cerca de 14.000,00Mt (catorze mil meticais) e outro pagou 7.000,00Mt (sete mil meticais). Esses valores estão documentados e nós deixamos ali ao nível da procuradoria para que investigue e responsabilize os indivíduos pela tortura desses cidadãos, porque nós temos fotografias que ilustram o corpo desses jovens massacrados”.

Face ao cenário descrito, a Kóxukhuro diz estar a agir no cumprimento das suas responsabilidades e apelou à intervenção das entidades competentes para averiguar os factos, ao mesmo tempo que convidou os órgãos de comunicação social a acompanharem e darem cobertura ao caso.

“Outro cidadão foi detido na 2ª Esquadra e foi baleado dentro da esquadra, ou seja, as pessoas prenderam esse cidadão, depois de estar preso na 2ª Esquadra levaram para uma parte incerta, que supõe-se que era queimar arquivo e lá balearam a pessoa de forma premeditada para confessar também um crime que supostamente ele não terá cometido. Agora a questão cometer ou não cometer o crime isso é responsabilidade do tribunal, não queremos saber, mas a verdade, a confissão por tortura na República de Moçambique é crime, de certa forma submetemos um documento para exigir que a procuradoria provincial investigue esses casos e responsabilize os indivíduos”.

O presidente da Kóxukhuro disse que os trabalhos estão em curso no sentido de trazer à tona outros vários casos. (Malito João)

Distrito de Nampula necessita de cerca de 14 milhões de meticais para assistir vítimas das chuvas

Nampula (IKWELI) – O governo do distrito de Nampula aponta necessitar cerca de 14 milhões de meticais para assistir famílias vítimas das chuvas, assim como reparar os outros danos causados pelos eventos climáticos da presente época chuvosa.

Nesta segunda-feira (16), o governo do distrito e conselho autárquico da cidade de Nampula realizaram uma sessão do Comité Operativo de Emergência.

Ema Amido, directora dos Serviços Distritais de Planeamento e Infraestruturas (SDPI) em Nampula, disse na ocasião que 7 pessoas perderam a vida em Nampula e 1525 ficaram afectadas.

“Importa referenciar que essas chuvas deixaram algumas famílias ao relento, com um número total de 305 casas destruídas que corresponde a 1525 pessoas afectadas nos postos administrativos de Natikiri, Muhala, Namicopo, Anchilo e Central. Portanto, tivemos um número de 2 pessoas arrastadas pelas águas das chuvas que ocorreu no dia 20 de janeiro e os corpos sem vida foram achados no dia 4 de fevereiro.”

Na cidade de Nampula, os bairros de Napipine, Namicopo e Natikiri são os que mais foram fustigados. (Nelsa Momade)

Nampula já conta com 37 óbitos por conta dos eventos da época chuvosa

Nampula (IKWELI) – O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em Nampula, revela que desde o início da presente época chuvosa estão afectadas 14.180 pessoas, correspondentes a 2.817 famílias tendo sido registados de 37 óbitos e 5 feridos.

Segundo Anacleta Botão, delegada provincial do INGD em Nampula, no período em destaque, várias infra-estruturas habitacionais foram afectadas total e parcialmente. “Temos 1.129 casas parcialmente destruídas, 441 habitações totalmente destruídas e 1.264 casas inundadas, incluindo quatro casas de culto”, explicou.

No sector de infraestruturas públicas, por exemplo na educação, Anacleta Botão disse que as chuvas afectaram 67 escolas, com 229 salas de aula comprometidas, prejudicando 28.145 alunos e 299 professores.

Na área agrícola, a delegada afirmou que os prejuízos também foram significativos, com 1.441 hectares de culturas destruídas, além de 10 postes de energia danificados, cortes em várias estradas e registo de morte de alguns animais.

Entretanto, avançou que dos 37 óbitos registados, 23 estão associados à cólera, facto que preocupa as autoridades. “Queríamos destacar que os óbitos que temos registado, de Dezembro até então, são maioritariamente causados por descargas atmosféricas. Por cada aviso que nós damos, temos em média um óbito por descarga eléctrica”, lamentou.

Estradas danificadas e algumas sem intervenção

Anacleta Botão sublinhou, igualmente, que a situação das estradas na província continua preocupante, com vários troços condicionados ou interrompidos.

Entre os casos mencionados, destaca-se a estrada Nametil–Angoche, que sofreu danos em Mogovolas, tendo havido intervenção imediata. Já em Nacala-à-Velha e Memba, também, foram registados danos, estando as reparações em curso.

No entanto, alguns troços continuam sem qualquer intervenção, como é o caso da estrada N-324 (Larde), que permanece bastante danificada. A via Ribáuè–Lalaua está condicionada, sendo usada uma alternativa. “A estrada Muecate–Imala encontra-se actualmente interrompida, sem intervenção, enquanto o troço Mecubúri–Muite está em processo de reparação.” (Malito João)

Suposto larápio escapa à linchamento popular no centro de saúde de Muhala Expansão

Nampula (IKWELI) – Um homem de 32 anos de idade foi brutalmente agredido pela população no passado fim-de-semana no recinto do Centro de Saúde Muhala Expansão, na cidade de Nampula, acusado de tentar roubar uma motorizada.

Segundo testemunhas no local, o indivíduo teria chegado por volta das 8 horas e colocado-se na fila como se fosse paciente, enquanto observava discretamente as motorizadas estacionadas no interior da unidade sanitária.

De acordo com relatos, o suspeito terá tentado colocar uma das motorizadas em funcionamento, fingindo ser o proprietário. O barulho do motor acabou chamando a atenção do verdadeiro dono, que rapidamente gritou por ajuda.

“Ele estava na fila como qualquer pessoa, mas só estava a vigiar as motorizadas. Quando tentou ligar uma delas, o dono percebeu e gritou”, contou uma testemunha que pediu anonimato.

No mesmo instante, populares e moto-taxistas que se encontravam no local intervieram, imobilizando o suspeito e agredindo-o com paus e pedras, deixando-o gravemente ferido.

Alguns cidadãos ouvidos pelo Ikweli afirmam que situações do género têm sido frequentes naquele centro de saúde e acusam a polícia de pouca intervenção, apesar da existência de um posto policial nas proximidades.

Até ao momento em que a equipa do Ikweli abandonou o local, o homem permanecia estendido no chão, ferido e a clamar por socorro. (Malito João)

Empregados domésticos queixam-se de maus tratos em Nampula

Ilustração

Nampula (IKWELI) – O Sindicato Nacional dos Empregados Domésticos (SINED), em Nampula, está preocupado com a elevada onda de maus-tratos aos trabalhadores domésticos que ainda prevalece na cidade de Nampula e promete trabalhar na consciencialização dos lesados para que procurem as autoridades competentes sempre que se sentirem injustiçados.

Os pronunciamentos foram feitos após recorrentes denúncias apresentadas pelos empregados. No ano de 2025, o sindicato recebeu 180 casos, comparativamente a 2024, quando registou 60, demonstrando o nível de agravamento da situação que assola este grupo de trabalhadores. Estes alegam não estar a receber salário justo, para além de denunciarem o mau comportamento de alguns empregadores.

Macário Lourenço, secretário provincial do Sindicato Nacional dos Empregados Domésticos em Nampula, destacou que o sindicato está a traçar um plano de campanha para dialogar com os trabalhadores e, posteriormente, com os seus empregadores.

“Já falei com a Direcção de Mediação de Conflitos para obter alguns documentos necessários. Brevemente, queremos iniciar as actividades. Apesar das dificuldades que temos enfrentado durante o nosso trabalho, estamos dispostos a continuar”, disse o responsável do sindicato.

O secretário apelou a todos os empregados domésticos para que se inscrevam massivamente no sindicato, a fim de conhecerem os seus direitos e deveres, uma vez que muitos ainda os desconhecem. “Portanto, todos os empregados devem abraçar o sindicato. Quero também apelar aos patrões para que regularizem os direitos dos seus trabalhadores”, frisou a fonte.

Trabalhadores ouvidos pelo Ikweli confirmaram que denunciaram ao sindicato que estão cansados de serem submetidos a humilhações, mas afirmam não ter alternativa, pois é através do trabalho que conseguem obter algum rendimento para sobreviver, numa altura em que a procura de emprego constitui um grande desafio para os jovens e para a população em geral.

“Eu trabalho na casa de uma senhora para tentar sobreviver, mas é difícil, porque o trabalho é duro e ganho mil e quinhentos meticais. Às vezes, passo meses sem receber, é muito complicado”, disse um dos trabalhadores.

“Não está fácil trabalhar na casa de alguém, porque às vezes não percebem que também nos cansamos. É normal eu fazer todos os serviços e depois sentar-me um pouco. Mas, para a dona, isso constitui um problema; ela tem sempre de inventar alguma coisa para não me ver a descansar”, revelou uma trabalhadora. (Francisco Mário)

HCN aposta em tecnologia para melhorar atendimento nas urgências

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (HCN) vai introduzir, nos próximos meses, um sistema electrónico de atendimento e e-triagem, uma plataforma desenhada de acordo com a realidade da instituição e que conta com o apoio da organização SolidarMed.

Segundo uma nota emitida pelo HCN, a medida pretende reforçar a qualidade do atendimento nas urgências, facilitar o registo clínico dos pacientes e reduzir os custos com papel.

Numa fase inicial, o sistema será implementado no Serviço de Urgência de Adultos (SUR), abrangendo igualmente as áreas de Ortopedia e Traumatologia, além de serviços complementares como Radiologia, Laboratório e Farmácia.

Com a nova ferramenta, os pacientes passarão a circular no serviço apenas com o Número de Identificação (NID), eliminando a necessidade de processos físicos. O hospital prevê colocar a plataforma em funcionamento até ao final do primeiro trimestre do presente ano.

Através do sistema, os profissionais de saúde poderão utilizar tabletes ou telemóveis para registar as queixas, acompanhar o atendimento e inserir informações clínicas em tempo real. “À entrada, os utentes serão informados sobre o uso destes dispositivos, garantindo transparência durante o processo”, explica o comunicado.

A plataforma permitirá também organizar electronicamente as filas de espera, priorizando os casos mais graves ou atendendo por ordem de chegada. Os pacientes em estado crítico continuarão a ser encaminhados automaticamente para as salas de observação, tal como acontece actualmente.

Com esta inovação, o HCN reforça a modernização dos seus serviços e aposta numa assistência mais organizada, eficiente e orientada para a melhoria da resposta à população. (Malito João)

Justiça pelas próprias mãos toma contornos alarmantes em Nampula

Nampula (IKWELI) – A população da cidade de Nampula tem recorrido, com frequência crescente, à justiça pelas próprias mãos, numa situação que está a tomar contornos alarmantes nos últimos tempos.

Segundo apurou Ikweli, em vários bairros da cidade de Nampula, muitos cidadãos acreditam que a única solução para combater a criminalidade é linchar ou agredir suspeitos de roubo.

Recorde-se que, no ano passado, os bairros de Murrapaniua e Natikiri lideraram os registos de linchamentos, enquanto Napipine também foi apontado como uma das zonas onde, alegadamente, quem é acusado de roubo pode acabar por perder a vida.

Na manhã de sexta-feira (13), na zona da Rua da França no bairro de Carrupeia, um jovem foi brutalmente espancado, acusado de roubar um telemóvel numa residência onde trabalhava como empregado doméstico.

O suposto ladrão apresentava sinais visíveis de golpes e ferimentos no rosto, tendo sido amarrado até ao peito, num cenário considerado de uma clara violação dos direitos humanos.

A situação preocupa a Polícia da República de Moçambique (PRM). Recentemente, a porta-voz da corporação, Rosa Nilza Chaúque, desencorajou publicamente esta prática, apelando à população para que denuncie os casos às autoridades competentes, em vez de aplicar castigos por conta própria.

Ainda na mesma ocasião, a PRM apresentou dois indivíduos apontados como responsáveis pelo linchamento de um suposto ladrão no bairro de Murrapaniua, reafirmando que este tipo de actos constitui crime e será responsabilizado criminalmente.

Esta onda de justiça pelas próprias mãos acontece numa altura em que, um pouco por toda a cidade de Nampula, um grupo de criminosos denominado G-15 tem tirado o sono aos moradores, com relatos frequentes de assaltos e roubos em diferentes pontos da urbe. (Malito João)

Chapo destaca resposta das populações face ao ciclone Gezani

Maputo (IKWELI) – O Presidente da República, Daniel Chapo, enalteceu o comportamento preventivo das populações das zonas de risco afectadas pelo ciclone Gezani, na província de Inhambane, sublinhando que a observância atempada dos alertas das autoridades foi determinante para reduzir o impacto humano do fenómeno, apesar do registo de quatro óbitos, durante a conferência de imprensa de balanço da sua visita de trabalho à Etiópia, à margem da 39.ª Cimeira da União Africana.

Antes de apresentar os principais apontamentos da visita de trabalho, o Chefe do Estado considerou prioritário abordar a questão doméstica que considerou de elevado interesse nacional, relacionada com a ocorrência, entre as últimas horas de sexta-feira e as primeiras horas de sábado, de mais um evento extremo no país, cuja gestão pelas autoridades moçambicanas acompanhou atentamente, designadamente o ciclone Gezani, que afectou sobretudo partes da província de Inhambane, na região sul.

De acordo com dados preliminares avançados pelo Presidente Chapo, “o ciclone Gezani afectou perto de 500 pessoas, nos distritos de Vilankulo, Massinga, Morrumbene, Maxixe, Jangamo, Homoine e a própria cidade de Inhambane, a capital provincial”.

O estadista destacou, entretanto, a postura das comunidades expostas ao risco, sublinhando que “há a destacar, na gestão deste desastre, sobretudo antes da sua ocorrência, o comportamento exemplar das nossas populações baseadas nas zonas de risco de impacto pelo ciclone Gezani, que acataram os alertas e as recomendações das autoridades, em especial do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (o INGD), abandonando as zonas de risco de forma tempestiva, embora e, sendo de lamentar, nem todos tenham acatado os avisos das autoridades”.

Apesar das medidas preventivas adoptadas, o impacto humano revelou-se significativo. “Lamentavelmente, registámos a morte de quatro concidadãos nossos, como resultado da ocorrência deste desastre e tomamos desta oportunidade para endereçarmos as nossas mais sentidas condolências aos familiares destes compatriotas que perderam a vida”.

O Chefe do Estado acrescentou que ainda, em consequência deste ciclone, uma pessoa contraiu ferimentos, a quem desejou rápidas melhoras.

Face à persistência do risco de fenómenos extremos, o Chefe do Estado reforçou o apelo à vigilância das populações, lembrando que “por nos encontrarmos ainda na época ciclónica, que geralmente se estende até Março, queremos continuar apelando a maior observância das medidas de segurança contra estes fenômenos naturais”.

A conferência de imprensa marcou o encerramento da visita de trabalho do Presidente da República à Etiópia, país que acolhe a sede da União Africana, tendo reiterado o compromisso do Governo em acompanhar a situação em Inhambane e reforçar a prontidão institucional, em coordenação com o INGD, para mitigar os impactos de eventos climáticos extremos. (Comunicado Presidência da República)