
Nampula (IKWELI) – Um grupo de residentes do bairro de Maparra, na periferia da cidade de Nampula, ocupou, na madrugada da última sexta-feira de Outubro, um terreno com cerca de 500 metros quadrados, com o objectivo de criar um mercado informal, numa iniciativa que expõe a falta de infra-estruturas comerciais naquela zona residencial.
A ocupação começou por volta das 5 horas da manhã, quando dezenas de moradores se concentraram no espaço e começaram a fazer demarcações improvisadas para estabelecer os seus pontos de venda. Os residentes justificam a iniciativa com a necessidade de dispor de um local próximo para desenvolver pequenas actividades comerciais, alegando que o terreno permanece sem utilização há vários anos e que o bairro não dispõe de um mercado formal.
«Este terreno está aqui desde que eu era criança, sem nenhuma ocupação. Dizem que é de um estrangeiro, mas nunca fizeram nada. Nós estamos a sofrer, não temos onde vender. Sentimo-nos obrigados a agir», afirmou Lourenço Carlos, residente da zona.
A fonte acrescentou que o espaço, por se encontrar coberto de vegetação, também tem sido associado a problemas de segurança, incluindo agressões e assaltos. Uma das vendedoras que participou na ocupação afirmou que as longas distâncias percorridas diariamente para comercializar produtos constituem um dos principais motivos da reivindicação.
«Estamos cansadas de percorrer longas distâncias. Este espaço está aqui há anos sem uso, enquanto nós precisamos de trabalhar. Às vezes temos algum dinheiro para iniciar um negócio, mas onde vamos implementá-lo? Queremos apenas um mercado digno para o bairro», declarou.
Segundo uma observação feita pelo IKWELI no local, em menos de oito horas tinham sido realizadas mais de 200 demarcações improvisadas, evidenciando a dimensão da mobilização dos residentes.
Maparra, que conta com mais de 15 mil habitantes, não dispõe de um mercado formal. Por essa razão, os moradores afirmam que são obrigados a percorrer distâncias que podem chegar aos sete quilómetros para aceder aos mercados Central, Matadouro, Wassanito ou Waresta. Perante a situação, os residentes garantem que não pretendem abandonar o espaço enquanto não obtiverem uma resposta concreta das autoridades sobre a necessidade de instalação de um mercado no bairro.
Entretanto, as estruturas comunitárias manifestaram preocupação com a forma como a ocupação está a decorrer. Em contacto com o IKWELI, afirmaram que o terreno se encontra parcelado em nome de um cidadão estrangeiro, cujo paradeiro e planos para o espaço dizem desconhecer. Embora reconheçam a necessidade de um mercado em Maparra, os representantes comunitários defendem que a reivindicação deve ser encaminhada através do diálogo com as autoridades e sem recurso à ocupação de propriedades.
«A população tem razão em reclamar um mercado. Nós mesmos já pedimos isso ao município há mais de dois anos. Mas invadir um espaço desta forma não é a solução. Isto é uma ocupação de espaço e pode trazer problemas graves de ordenamento», alertaram. (Manuel Tadeu)






