
Nampula (IKWELI) – Os vendedores que exercem diversas actividades comerciais no mercado de Namiepe, no posto administrativo de Namicopo, nos arredores da cidade de Nampula, mostram-se preocupados com a degradação do mercado e acusam o governo autárquico de cobrar taxas diárias sem cumprir as promessas de melhorar e requalificar o local.
Mário Amisse, chefe adjunto do mercado de Namiepe, é quem denuncia a situação, apontando que a mesma constitui um perigo para a vida dos utentes.
Segundo aquele responsável, esta situação leva aos vendedores a acusar o autarca Luís Giquira de se limitar à cobrança das taxas, sem, contudo, resolver os problemas relacionados com a requalificação do mercado, sobretudo no que diz respeito à construção de bancas fixas ou barracas.
De acordo Amisse, actualmente, o local conta com cerca de 100 vendedores, que são obrigados a exercer as suas actividades debaixo do sol, sem casas de banho, furo de água potável e instalação de energia eléctrica, recorrendo a ligações precárias, que não têm sido suficientes, mas mesmo assim são obrigados a pagar a taxa diária do mercado, impostos e licenças.
“Já tivemos reuniões, nos meses passados, com os chefes dos mercados, no pelouro de Mercados e Feiras do Município, e, no mês de maio deste ano, apresentámos novamente esta questão, sempre com promessas de que poderão vir a resolver, mas nunca realizam”, afirmou.
“Quando tivemos o incidente em que se queimaram algumas bancas, fomos informar o município, mas não tivemos nenhuma resposta até agora”, acrescentou a nossa fonte.
O entrevistado revelou ainda que, para além das péssimas condições do mercado, os comerciantes também são obrigados a partilhar o mesmo espaço com montões de lixo produzido durante as suas actividades comerciais, e, estranhamente, o município nunca procedeu a remoção dos resíduos, nem disponibilizou contentores para o depósito de lixo.
“Estamos mal com o problema do lixo aqui. Não temos nenhum meio para transportar o lixo nem um contentor. Às vezes, somos obrigados a depositá-lo numa casa de banho que já não está em funcionamento ou mesmo num riacho que fica a cerca de 300 metros do mercado. E também a nossa estrada está degradada, o que dificulta a passagem dos comerciantes”, lamentou.
Aquele responsável acrescentou que os vendedores estão descontentes com a situação e, por isso, questionam a continuidade do pagamento das taxas diárias, uma vez que, segundo ele, os problemas do mercado continuam por resolver.
“Assim, lamentamos não ter vontade de continuar a pagar as taxas diárias, por não conseguirmos ver organizadas e resolvidas as nossas preocupações. Mas ainda continuamos a pagar e, por dia, conseguimos arrecadar 170.850,00Mt (cento e setenta mil, oitocentos e cinquenta meticais)”, concluiu o responsável do mercado.
Giquira diz que não tem dinheiro para cumprir todas as promessas
O autarca da cidade de Nampula, Luís Giquira, reconhece os desafios enfrentados pelos comerciantes e moradores relativamente a requalificação do mercado e estradas da urbe, mas afirma que a edilidade não dispõe de recursos financeiros suficientes para realizar as intervenções.
Mesmo assim, Giquira pede aos comerciantes que continuem a pagar as taxas diárias municipais, com vista a garantir a realização de intervenções e a melhoria das condições do mercado.
“Nós estamos a procurar fazer várias estradas, e a estrada de Namiepe está no nosso manifesto, mas também estamos a jogar com o nosso caixa. Sabemos que o município de Nampula só com salários consome quase 25 milhões de meticais por mês, o que tem reduzido sobremaneira algumas das intervenções que estamos a realizar. Queremos que as receitas possam melhorar”, explicou o presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, Luís Giquira. (Virgínia Emília)





