
Nampula (IKWELI) – A província de Nampula viveu, nas últimas quatro semanas, uma redução dos problemas de escassez de combustível, depois das medidas adoptadas pelo governador Eduardo Mariamo Abdula, com destaque para a proibição da venda do produto em galões e da sua proliferação na via pública.
Após a implementação destas medidas, a cidade de Nampula passou a registar um cenário diferente nas bombas de combustível, com menos enchentes e quase sem vendedores informais a comercializar o produto nas ruas.
Entretanto, nos últimos dias, o Ikweli foi informado sobre o surgimento de um novo “modus operandi” usado por alguns vendedores para continuar com o negócio ilegal de combustível. Em alguns locais, os galões são colocados de forma disfarçada, parecendo recipientes usados para venda de água.
Segundo informações recolhidas, a gasolina também estará a ser comercializada de forma escondida em algumas residências dos bairros da cidade. Os vendedores utilizam diferentes estratégias para evitar chamar a atenção das autoridades e dos moradores.
Uma das práticas consiste no uso de motorizadas e viaturas para abastecer combustível nas bombas e, posteriormente, transferi-lo para recipientes, com destaque para tambores e galões.
Segundo as nossas fontes, casos há em que alguns clientes fazem encomendas de gasolina, sendo o produto colocado em galões e depois transportado dentro de caixas para disfarçar a chamada “bolada”, prática que anteriormente era mais visível nas ruas.
“Essa bolada já continuou, mas de uma forma diferente. Você pode controlar as mesmas casas que vendiam combustível no bairro, elas ainda continuam, mas agora encontras galão ou funil, logo os clientes já sabem que aqui tem gasolina,” disse uma das fontes.
A mesma fonte manifesta preocupação com o aumento das filas nas bombas e pede maior fiscalização nos bairros. “Estamos a pedir uma outra forma de fiscalização, se possível nas residências onde a Polícia desconfia, porque é muito feio. Gasolina está nos bairros e não nas bombas.”
Durante uma ronda realizada pelo Ikweli em algumas zonas da cidade, foram observadas viaturas a abastecer combustível e, posteriormente, a transferi-lo para galões, numa prática que pode estar relacionada com os novos métodos de comercialização ilegal do produto.
Rivaldo Manuel, taxista de mota, confirma a existência da situação e considera constrangedora. “Eu vi com meus olhos ontem pessoas que vieram abastecer mais de três vezes, enquanto nós estamos na bicha,” afirmou, defendendo um trabalho mais rigoroso das autoridades nas bombas para desencorajar a prática e evitar que a situação volte a provocar escassez de combustível na cidade. (Malito João)






