População de Mukhurua vive da água das condutas danificadas

Nampula (IKWELI) – Os residentes da zona de Mukhurua, na periferia da cidade de Nampula, recorre as condutas de água danificadas que por ali passam para ter acesso ao precioso líquido.

Segundo apurou o Ikweli, os tubos danificados acabam por favorecer a comunidade, sobretudo em locais onde os tanques e torneiras comunitárias, conhecidos como “opovuni”, não têm grande aderência, uma vez que a população prefere recorrer à água gratuita proveniente dos tubos rebentados.

Entretanto, esta realidade já começa a criar impactos negativos para os moradores que pagam facturas de água e dependem da venda para gerar renda. Muitos alegam que a procura diminuiu drasticamente devido à existência de água gratuita nas ruas.

Sónia Celestino, uma das residentes, relata que o seu negócio foi seriamente afectado com o surgimento dos furos nos tubos. Antes, conseguia arrecadar valores consideráveis com a venda de água.

“Aqui na minha casa, cada balde de água custa 5,00Mt (cinco meticais). Antes de termos muitos tubos furados, por dia conseguia fazer até 500,00Mt (quinhentos meticais), mas agora, se eu conseguir 50,00Mt (cinquenta meticais), já é muito, porque a maioria da população tira água nesses furos,” lamentou.

A mesma fonte acrescenta que, mesmo quando tentam reparar os tubos danificados, o problema persiste. “Quando tentamos amarrar, no dia seguinte encontramos novamente furado. É muito complicado,” disse.

Por outro lado, há moradores que reconhecem a ilegalidade da prática, mas justificam o seu uso com base nas dificuldades económicas enfrentadas no dia-a-dia.

Maria Acácio afirma que o dinheiro que seria destinado à compra de água acaba por ser usado para outras necessidades básicas. “Não é possível termos água a sair nos tubos e irmos comprar. Sabemos que é proibido, mas todos tiram, porque isso nos ajuda muito,” explicou.

Raul Santos defende a reintrodução de sistemas antigos de abastecimento comunitário como forma de minimizar o problema. Segundo ele, a existência de torneiras públicas a preços acessíveis poderia reduzir a vandalização dos tubos.

“Há pessoas que não conseguem pagar 5,00Mt por um balde de água. Antigamente, nas torneiras do bairro, custava 3,00Mt (três meticais) e nas fontenárias era 1,00Mt (um metical). Hoje tudo mudou, mas a pobreza continua,” referiu.

No bairro de Mukhurua, os tubos rebentados não só prejudicam o fornecimento regular de água, como também danificam as vias de acesso e colocam em risco pequenos negócios locais ligados à venda deste recurso essencial. (Malito João)

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