Nampula (IKWELI) – O coordenador provincial da Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos e director da Associação Kóxukhuro, Gamito dos Santos, rejeita as acusações de que terá abandonado o activista social Jota Pachoneia, actualmente em prisão preventiva na cidade de Nampula, assegurando que continua a prestar apoio financeiro, moral e jurídico ao colega e à sua família. Gamito dos Santos reagiu às críticas que apontam para um alegado afastamento da situação de Pachoneia, afirmando que esteve directamente envolvido na mobilização e canalização de apoios financeiros destinados ao activista, incluindo os valores disponibilizados pela Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos. Segundo explicou, foi ele quem serviu de interlocutor para a solicitação dos primeiros apoios financeiros, posteriormente entregues à esposa de Pachoneia.
“Eu tenho feito aquilo que me cabe. Só para citar o exemplo, o primeiro valor que a Rede de Defensores dos Direitos Humanos teria enviado para o Jota Pachoneia, quem foi interlocutor sou eu. Como sabem, em Nampula sou coordenador da Rede Moçambicana dos Defensores dos Direitos Humanos e é minha obrigação proteger todo activista”, afirmou.
O responsável acrescentou que também esteve envolvido na mobilização de um segundo apoio financeiro, disponibilizado pela mesma organização, aproximadamente no mês passado. Para além da assistência financeira, Gamito disse ter acompanhado algumas diligências relacionadas com o processo judicial de Pachoneia, incluindo a entrega de documentos ao tribunal e a articulação com o advogado do activista.
“Quem mandou o processo no tribunal fui eu. Tenho aqui o documento no meu telefone. Por algum momento, coordenei com o próprio advogado dele e avançámos nesse sentido. A própria esposa tem recebido o meu apoio, seja financeiro, assim como moral”, declarou. O coordenador justificou a discrição em torno dessas iniciativas com a necessidade de preservar a situação do activista, considerando inadequado transformar o seu caso numa oportunidade de exposição pública ou promoção pessoal.
“Não procuro expor à imprensa, não procuro expor nas redes sociais, não procuro falar com pessoas terceiras, porque percebo que a situação de Jota Pachoneia actualmente é sensível. Não se pode usar a situação de Jota Pachoneia para protagonismo, para aparecer ou conseguir engajamento”, advertiu.
Publicações nas redes sociais
Gamito dos Santos revelou igualmente que, na sequência de uma reunião realizada recentemente, foi recomendada uma redução das publicações nas redes sociais sobre a situação de Pachoneia, incluindo as divulgadas pelo activista Sismo Eduardo.
Na sua avaliação, a exposição de imagens que mostram o estado físico debilitado do activista pode produzir efeitos contrários aos pretendidos, prejudicando a sua imagem pública.
“Se formos a ver, a última foto do Pachoneia que Sismo postou, aquela em que aparece um pouco debilitado, e a repercussão que causou, não dá benefício ao Jota Pachoneia. Antes pelo contrário, deprecia-o. Então, não podemos continuar a fazer esse tipo de posts, sob pena de colocarmos em causa a imagem do Jota Pachoneia”, afirmou. O responsável reconheceu a existência de divergências entre si e Pachoneia, mas considerou que essas diferenças fazem parte da convivência democrática e não devem ser confundidas com abandono ou falta de solidariedade.
“Há situações em que eu, Gamito, não concordo, e ele também, como Jota Pachoneia, não concorda. Isso é democracia, é normal. E quando ele não concorda, o que é que eu faço? Em algumas vezes, é respeitar a sua decisão”, explicou.
Gamito acrescentou que algumas acusações surgidas no contexto da relação entre os dois activistas são, na sua perspectiva, infundadas e estão a ser tratadas internamente. Lamentou ainda que determinadas pessoas procurem aproveitar-se da situação para ganhar visibilidade nas redes sociais.“É por essa razão que existem essas fofocas, mas as fofocas vão ser clarificadas depois de Jota Pachoneia sair da cadeia”, declarou.
Processo envolvendo o Hotel Plaza
Sobre o processo judicial movido pelo proprietário do Hotel Plaza, em Nampula, Gamito dos Santos revelou que ele e o activista Sismo Eduardo chegaram a deslocar-se ao estabelecimento para apresentar um pedido de desculpas, na sequência de uma situação relacionada com um dos processos que envolvem o hotel. Segundo contou, a direção do estabelecimento solicitou que o pedido fosse formalizado por escrito, tendo sido preparados os respectivos documentos.
“Nós já saímos, eu e Sismo, para o Hotel Plaza, porque um dos processos envolve o dono do Hotel Plaza. Fomos pedir desculpas ao Hotel Plaza e solicitaram que fizéssemos por escrito, e preparámos expedientes. Então, há questões que não posso falar”, afirmou.
Apesar das divergências e das críticas, Gamito reiterou que a sua prioridade continua a ser contribuir para a libertação de Jota Pachoneia, admitindo, entretanto, que apenas visitou o activista uma vez desde a sua detenção. “Visitei somente uma vez desde que ele ficou preso, mas tenho motivos que o próprio Pachoneia sabe. Neste momento, o que estamos a fazer é tirá-lo da prisão”, concluiu. (Malito João)

