Nacala (IKWELI) – A Twigg Exploration & Mining Limitada, empresa que explora grafite no distrito de Balama, província de Cabo Delgado, critica a falta de manutenção das estradas utilizadas para o escoamento do minério e considera que a situação compromete as condições acordadas com o Governo para a realização do seu investimento em Moçambique.
Além das dificuldades de acesso rodoviário, a empresa enfrenta constrangimentos associados à insurgência armada que afecta Cabo Delgado há cerca de nove anos e à falta de energia eléctrica de qualidade no distrito de Balama.
Laura Mateus, gestora de Administração de Importações da Twigg Exploration & Mining, afirmou que a decisão de investir naquela região foi tomada com base num acordo com o Governo, que incluía compromissos relacionados com a criação de condições para a exportação da grafite.
“Desde que começámos a operar, não tivemos essas manutenções preventivas. As condições das estradas têm estado a piorar, e isso deve estar no fórum correcto, falo da área das infra-estruturas, por forma a garantir que temos estradas em condições para isso”, afirmou Mateus.
A responsável acrescentou que o investimento da empresa teve como pressuposto o cumprimento das obrigações assumidas pelas partes.
“Ao acordarmos com o Governo, no nosso contrato, existem obrigações e direitos. Foi desse acordo que fizemos o investimento que fizemos em Moçambique, e uma das obrigações do Governo é garantir que nós temos condições de exportar a grafite de Balama”, declarou.
À margem da conferência, Mateus apelou à intervenção das entidades competentes para que sejam respeitados os compromissos assumidos e criadas condições para o desenvolvimento da actividade mineira.
“Quero aqui [na primeira edição da CAVAME-d] solicitar ainda o apoio de quem é de direito, por forma a trabalharmos juntos, dentro dos limites estabelecidos pelo nosso acordo, para receber este desenvolvimento que estamos a pedir aqui em Moçambique”, afirmou.
A gestora defendeu igualmente que a melhoria das estradas deve beneficiar todos os utentes, incluindo os operadores económicos que suportam os custos associados à circulação de mercadorias e às operações portuárias.
Mateus manifestou preocupação com a introdução de encargos que anteriormente não eram cobrados em determinadas operações de importação, incluindo taxas municipais, e apelou a que as receitas arrecadadas contribuam efectivamente para a melhoria das infra-estruturas.
“Este ano recebemos muitas taxas em relação à importação que, normalmente, eram gratuitas, agora têm um custo específico. Temos, por exemplo, as taxas do Conselho Municipal, e seria bom vermos como isso vai beneficiar a melhoria das estradas aqui em Nacala e que estas taxas realmente sirvam. Nós, como operadores que estamos a pagar por contentor, queremos ver o benefício para Nacala das referidas taxas que foram impostas”, explicou.
Para a representante da empresa, Moçambique dispõe de potencial para contribuir para a transição energética, mas precisa de reforçar a disponibilidade de quadros qualificados e melhorar as condições de operação das empresas que investem no sector.
“Moçambique tem muito potencial. Temos que ter a capacidade de ter quadros suficientes para podermos contribuir da melhor forma para essa mudança energética que vai acontecer”, concluiu.
Os pronunciamentos foram feitos durante o painel sobre as necessidades logísticas actuais e futuras das empresas mineradoras que operam em Moçambique, no terceiro dia da Conferência sobre Valor Acrescentado aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d), que decorre em Nacala-Porto desde segunda-feira, 19. (Felismina Maposse, em Nacala)

