Mozambique Tourism Summit quer mobilizar até 500 milhões de dólares em investimentos no sector do turismo

Maputo (IKWELI) – A segunda edição do Mozambique Tourism Summit, marcada para os dias 5 e 6 de Novembro de 2026, em Vilanculos, província de Inhambane, pretende reunir entre 800 e 1.000 participantes de cerca de 30 países e mobilizar investimentos estimados entre 350 e 500 milhões de dólares.

Sob o lema “Moçambique, onde África se reinventa”, o evento vai apresentar entre 40 e 50 projectos turísticos, dos quais 25 se encontram actualmente à procura de parceiros estratégicos. O Summit pretende também promover encontros entre investidores e entidades públicas, bem como colocar em destaque oportunidades de concessão e desenvolvimento de aproximadamente 2.500 hectares de terras com potencial turístico.

Segundo explicou Paulo Dimande, curador do Summit, a segunda edição assenta em três pilares estratégicos: pensar grande, investir com propósito e viajar com impacto. Sublinhou que o Tourism Summit não é apenas uma conferência, mas uma plataforma de negócios, de diplomacia económica e de concretização de investimentos.

Esta fonte explica que o país está pronto para se posicionar como uma das principais fronteiras do turismo e do investimento em África e “perante esta realidade, devemos responder à seguinte pergunta: o que é que Moçambique tem para oferecer a quem investe, patrocina ou se associa a este Summit?”, questionou.

Dimande apresentou três oportunidades no sector do turismo. A primeira está relacionada com uma área costeira de aproximadamente 35 quilómetros, onde se pretende atrair investimentos para empreendimentos hoteleiros de padrão elevado.

A segunda oportunidade está relacionada com leilões turísticos e concessões de cerca de 2.500 hectares de terras com potencial turístico. A terceira vertente apresentada são os encontros B2B e B2G, que deverão colocar frente a frente empresas, investidores e instituições públicas. A iniciativa pretende facilitar contactos, identificar parceiros e criar condições para que os projectos apresentados no Summit possam avançar para a fase de investimento.

Acrescentou que um Summit desta dimensão não se constrói de forma isolada e precisa de parceiros estratégicos que acreditem na visão e queiram fazer parte desta história.

Já o ministro da Economia, Basílio Muhate, afirmou que o Tourism Summit é uma oportunidade e uma grande plataforma para interagir, bem como para melhorar a actuação do Governo no desenho de políticas ligadas ao sector do turismo.

Em 2025, o país registou cerca de 1,5 milhões de visitantes no sector do turismo, representando um aumento significativo em comparação com 2024, disse.

Segundo o dirigente, há necessidade de transformar a riqueza do sector do turismo em oportunidades concretas para o país, nomeadamente na criação de mais empregos e no aumento das redes de empresas locais.

Já o embaixador do Turismo em Moçambique, Samora Machel Júnior, referiu que a realização do Summit reafirma uma nova ambição, que olha para o turismo não apenas como uma actividade económica, mas também como uma verdadeira referência do património histórico, da gastronomia, da música, da diversidade cultural e, acima de tudo, de um povo acolhedor.

Defendeu que ter potencial não é suficiente. O desafio passa por transformar esses activos em experiências turísticas de qualidade, sustentáveis, competitivas e acessíveis “precisamos de avançar de forma determinada em três áreas fundamentais: investimento, conectividade e cadeias de valor”, afirmou.

Samora Machel Júnior destacou que é necessário investir no desenvolvimento de infra-estruturas e produtos turísticos de qualidade. Quanto à conectividade, defendeu melhores ligações aéreas, rodoviárias, marítimas e digitais, considerando que um destino extraordinário só pode crescer verdadeiramente quando é também um destino acessível.

Por outro lado, afirmou que é necessário construir cadeias de valor que integrem cada vez mais os produtores locais, os jovens, as mulheres, as pequenas e médias empresas, os operadores turísticos e, sobretudo, as comunidades.

“Nenhuma destas ambições será alcançada isoladamente. O Governo tem um papel fundamental na criação das condições e das políticas adequadas. O sector privado tem a capacidade de investir, inovar e criar emprego.” (Antónia Mazive)

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