Maputo (IKWELI) – O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou, na segunda-feira (28), a necessidade de uma maior colaboração entre o Estado e as confissões religiosas na promoção de valores éticos, paz, reconciliação e coesão social durante a 9ª Conferência Nacional Religiosa realizada na Matola, província de Maputo.
O encontro decorre sob o lema “Celebrar a Diversidade Religiosa, promovendo os laços da fraternidade entre os moçambicanos” e reúne representantes de diferentes confissões religiosas e outros intervenientes para reflectir sobre o papel da religião na promoção da convivência pacífica e do respeito mútuo.
Durante o seu discurso, o chefe do Estado destacou que desde o início da sua missão à frente dos destinos de Moçambique, tem defendido que o poder seja do líder religioso, líder político ou de qualquer outra liderança, só encontra a sua verdadeira grandeza quando é colocado ao serviço do povo.
Daniel Chapo destacou ainda a importância dos valores transmitidos pelas comunidades religiosas na compreensão da responsabilidade de governar, defendendo que estes devem contribuir para uma liderança orientada pelo serviço ao povo.
O presidente salientou que a Constituição da República consagra Moçambique como um Estado laico, e as confissões religiosas são livres na organização e no exercício das suas funções e de cultos, no entanto, frisou que a separação entre o Estado e a religião não deve ser entendida como indiferença ou hostilidade à fé.
Para Chapo, embora o Estado e as confissões religiosas tenham responsabilidades próprias, ambos podem convergir na defesa da dignidade da pessoa humana e na construção do bem-estar do povo moçambicano.
“Separação não significa indiferença, laicidade não significa hostilidade à religião,” afirmou, acrescentando que o respeito pela autonomia de cada uma das partes não impede a cooperação em matérias de interesse nacional.
Neste sentido, o chefe do Estado defendeu uma parceria estratégica, acente no diálogo considerando o único caminho para a consolidação da paz, reconciliação e estabilidade social, económica e política do nosso país
Chapo apelou, por isso, ao reforço do diálogo nacional inclusivo baseado no respeito mútuo e na cooperação, em benefício da nação moçambicana e do povo moçambicano.
O estadista defendeu ainda que alguns dos problemas que afectam a sociedades podem ser enfrentados através das leis e das instituições do Estado, enquanto outros exigem uma intervenção mais profunda, centrada na transformação da consciência humana.
Segundo o presidente, desafios como a corrupção, consumo e tráfico ilícito de drogas e o crime não são combatidos apenas com tribunais e leis, é preciso que a religião ajude a transformar plenamente a consciência humana.
No caso da corrupção, Chapo afirmou que, embora o Estado possa aprovar leis para combater o fenómeno, a prevenção passa igualmente pela formação de homens e mulheres que reconheçam como moralmente inaceitável apropriar-se de recursos pertencentes ao povo.
Sobre a violência doméstica, defendeu a necessidade de se formar famílias onde o amor pelo próximo, o respeito e a dignidade sejam valores sagrados. Já em relação ao consumo e tráfico de drogas, defendeu à criação de referências morais e de esperança para os jovens, de modo a ajudá-los a encontrar um propósito para as suas vidas.
O chefe do Estado abordou também o combate ao terrorismo e ao extremismo violento, defendendo que, além da intervenção das Forças de Defesa e Segurança, é necessário que o extremismo violento não encontre espaço nos corações dos moçambicanos, tendo elencado que as confissões religiosas como actores estratégicos na formação da consciência moral da sociedade moçambicana, devido à sua presença junto das famílias e comunidades. (Antónia Mazive)

