Nampula (IKWELI) – As bancadas da oposição na Assembleia Provincial (AP) de Nampula reconhecem as acções de desenvolvimento levadas a cabo pelo Conselho Executivo Provincial, mas exigem maior dinâmica para que a população tenha mais benefícios da governação descentralizada.
Nesta terça-feira (22), arrancou a V Sessão Ordinária da AP de Nampula.
Martins Noronha, chefe da bancada do PODEMOS na AP de Nampula, disse que não se pode ignorar a realidade que o povo macua enfrenta, como é o caso das bombas de combustível estarem a escolher quem deve abastecer, sabendo-se que o melhor porto está na província de Nampula, daí que o povo queira apenas transparência.
“Enquanto discutimos documentos, há mães com dificuldades no abastecimento de água, crianças que continuam a estudar em condições indignas, jovens que continuam a procurar uma oportunidade de emprego e encontram portas fechadas”, disse Noronha.
O representante do PODEMOS pediu autonomia da Assembleia, pois não se pode falar de fiscalização “se quem fiscaliza depende de quem é fiscalizado. Não podemos fazer relatórios bonitos que mentem, porque a população dos distritos de Nampula clama e espera pelo dia celestial.”
Noronha pediu igualdade dentro da Assembleia, pois a oposição não pode ser tratada como convidada, porque quem recebeu o mandato tem o direito de o exercer.
“Fiscalização não pode ser turismo institucional. Temos problemas de redução do tempo relacionado com a fiscalização. É impossível, em um dia, fazer uma fiscalização de um distrito. Fiscalização não é um passeio, não é uma cerimónia, não é simplesmente chegar a um local, tirar fotografias e regressar com um relatório falseado”, rebateu.
Por sua vez, o chefe da bancada da RENAMO, Hilário Amândio Ferreira, sublinhou que, durante as actividades de fiscalização que aquele partido efectuou no âmbito do seu trabalho, constatou-se que a população enfrenta problemas relacionados com a falta de tecnologias modernas de produção, falta de unidades sanitárias apetrechadas com medicamentos, vias de acesso em condições deploráveis e falta de abastecimento de água potável.
“O problema é mais grave, levando muitos compatriotas a percorrer várias distâncias para ter acesso à água, sobretudo nas épocas de estiagem”, disse o chefe da bancada da RENAMO.
Felizardo Mucussete, chefe da bancada do partido MDM, disse, na ocasião, que o direito deve ser aplicado a todos e não apenas a alguns, enquanto os outros são restringidos.
“O MDM rejeita categoricamente qualquer tratamento desigual ou de alinhamento partidário”, disse, exigindo uma polícia republicana, depois de esta ter impedido o partido de realizar uma marcha pacífica.
Já Isac Ferreira, chefe da bancada da FRELIMO, anotou que a província enfrenta vários desafios ligados à degradação das estradas, destruição das pontes, insuficiência de salas de aulas, entre outros problemas.
“Entretanto, a bancada da FRELIMO reconhece os esforços do Executivo, que se traduzem no desenvolvimento da nossa província. Temos acompanhado a solução dos problemas da nossa província”, disse o chefe da bancada da FRELIMO, na abertura da sessão. (Francisco Mário)

