Feriados perdem sentido patriótico e viram pretexto para bebedeira em Nampula

Nampula (IKWELI) – Alguns munícipes da cidade de Nampula mostram total desconhecimento pelas datas históricas do país, cingindo-se a usar os feriados apenas como uma oportunidade para ingerir bebidas alcoólicas, uma realidade que preocupa o analista político e filósofo Marchal Manufredo, por entender que caminhamos para uma realidade que afasta os moçambicanos da sua estória.

Na manhã desta segunda-feira, 7 de Setembro, Dia da Vitória, por exemplo, as ruas do bairro de Napipine, na cidade de Nampula, registavam, desde as primeiras horas, a presença de vários cidadãos visivelmente embriagados e sem controlo dos seus comportamentos.

Para alguns, a data parecia resumir-se a um momento de diversão, bebida e excessos, deixando em segundo plano o significado estórico dos Acordos de Lusaka, assinados a 7 de Setembro de 1974, entre o Estado Português e a FRELIMO, abrindo caminho para a independência de Moçambique.

A situação, entretanto, não se limita ao Dia da Vitória. Em diferentes datas comemorativas, que deveriam constituir momentos de reflexão sobre a história, a identidade e o futuro do país, é possível encontrar grupos de cidadãos, incluindo mulheres reunidas em barracas ou espaços de convivência, a consumir cerveja e bebidas caseiras, como a “cabanga”, em vez de participar em actividades que valorizem o significado dessas datas.

Para o analista político e pesquisador Marchal Maunfredo, esta realidade pode estar relacionada, por um lado, com a frustração da população perante as dificuldades sociais e económicas e, por outro, com a falta de conhecimento sobre a história do país.

Segundo defende, quando as políticas públicas não respondem às necessidades dos cidadãos, cria-se um sentimento de frustração que pode manifestar-se através de comportamentos de excesso durante os feriados.

“Isso, por um lado, pode ser a frustração da própria população. O Estado deve buscar fazer políticas que respondam aos interesses sociais, e o interesse social é o próprio povo. Quando o Estado não faz políticas que correspondem com o povo, o resultado dá nisso. Então, temos que reflectir que tipo de país queremos”, explicou Manufredo.

O pesquisador considera igualmente necessário reforçar o ensino da História de Moçambique, não apenas como uma disciplina escolar, mas como instrumento de construção do patriotismo e da identidade nacional. Na sua perspectiva, conhecer os acontecimentos que marcaram a luta pela independência pode ajudar as novas gerações a compreender porque razões determinadas datas são celebradas e qual o seu significado para a sociedade.

“É preciso ensinar a História não num contexto partidário, mas num contexto em que todos nós temos que ser patriotas. Temos que ensinar a História de forma didática, porque ela vai restaurar a cultura geral e explicar o que eram os antigos combatentes daquela época, qual foi o espírito que moldou os combatentes na luta pela independência nacional e, a partir disso, vamos construir a nossa própria História,” defendeu Manufredo. (Malito João)

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