
A classe jornalística de Nampula voltou esta terça-feira, (1), a olhar para uma das páginas mais dolorosas da sua história sobre o acidente de viação ocorrido em Monapo, em 2016, que matou quatro jornalistas e o motorista que integrava a equipa em missão de serviço.
Para assinalar a década desde a tragédia, editores e jornalistas sobreviventes decidiram lançar um movimento de homenagem aos profissionais que perderam a vida enquanto exerciam a sua profissão.
A iniciativa foi anunciada durante uma conferência de imprensa promovida pelo Grupo de Editores de Conteúdos Informativos e Audiovisuais da província de Nampula, que pretende transformar a data numa jornada de memória, reconhecimento e solidariedade com as famílias das vítimas. O grupo defende que a tragédia não deve ser esquecida, sobretudo porque as vítimas estavam em cumprimento de uma missão profissional.
Luís Alberto Rodrigues, ponto focal do Grupo de Editores de Conteúdos Informativos e Audiovisuais e um dos decanos da classe jornalística em Nampula, explicou que o objectivo é recordar o acidente ocorrido a 1 de Setembro de 2016, no distrito de Monapo, e manter viva a memória dos profissionais que tombaram naquele dia.
“Para a classe jornalística, este dia serve como um dia de memória e tristeza, porque foi nesse dia que nós perdemos os nossos colegas num acidente cuja missão era mesmo profissional. Nós perdemos um jornalista do então jornal A Verdade, o Leonardo Gasolina; no mesmo acidente perdemos dois jornalistas, sendo a Esperança e o Archene, da extinta TV Gêmeos; também perdemos um colega da Rádio Moçambique, Inocêncio, e também perdemos o motorista Fernando Duarte. Então, significa que foi um trágico acidente. Para além das mortes, o mesmo acidente causou ferimentos graves a outros colegas. Quero me referir ao Sitoí Luxeque, ele é um dos sobreviventes; o Alberto Júnior, que agora trabalha para a HAQ TV; o Diz Robate, que agora já se deslocou da classe jornalística, mas ainda é parceiro; também o Mussa, da HAQ TV. Como podem ver, foi um acidente trágico, houve mortes, também houve feridos. Então, para nós, hoje é um dia de muita tristeza para recordar”, recordou Luís Rodrigues.
Entre as actividades previstas está a produção de um documentário no próprio local onde ocorreu o acidente, em Monapo. A produção deverá servir não apenas para preservar a memória das vítimas, mas também para destacar que os profissionais morreram no exercício da sua actividade.
“O Grupo de Editores de Conteúdos Informativos e Audiovisuais da província de Nampula vem preparando um rol de actividades. É primeiro um documentário em Monapo, no mesmo local onde ocorreu o acidente de viação, para servir de recordação e também de exaltação da classe, porque não foi um acidente casual, foi um acidente de trabalho. Então, para nós, é digno de recordação. É por isso que convocamos esta conferência de imprensa para recordarmos, mas, a partir de hoje, nós vamos lançar um movimento de exaltação da classe jornalística na província de Nampula, também homenagem às famílias enlutadas e àqueles profissionais que sobreviveram e que estão connosco”, explicou.
A iniciativa poderá culminar igualmente numa gala de homenagem, que deverá juntar jornalistas, familiares das vítimas, sobreviventes, entidades governamentais, organizações não-governamentais e outros parceiros da comunicação social. “Nos próximos tempos, a classe poderá lançar uma gala, onde espera contar com apoio de várias entidades do Governo e ONG para fazer face ao evento, que visa homenagear os jornalistas mortos e aqueles que vivem. Então, nós queremos, a partir desta gala que vamos lançar, praticamente, tem data, como disse, era para hoje, mas alguns parceiros, por causa de várias agendas, não foi possível. Será de homenagem e exaltação da classe, como disse anteriormente, e depois de agradecimento pela aprovação de mais um instrumento de comunicação que vai ajudar o nosso trabalho”, acrescentou Luís Rodrigues.
Com lágrimas no fundo dos olhos e a voz marcada pela emoção, Sitoí Luxeque, um dos sobreviventes do acidente, recordou os colegas que partiram e atribuiu a Deus o facto de alguns terem sobrevivido para contar aquela história. “O único que merece gratidão, em primeiro lugar, é Deus, por entender que, se não fosse por Ele, ninguém ficaria para contar o episódio. Quero aproveitar esta ocasião, no fundo do coração, para que todos apoiemos esta causa que parte dos jornalistas, editores e alguns parceiros que trabalham com a classe jornalística, que decidiram homenagear os jornalistas. Eu peço apoio, no fundo do coração, porque são dez anos que nós perdemos vozes, que nós perdemos escribas, e nós queremos recordar eles e abraçar as suas famílias e dizer de que nós, os sobreviventes, recordamos desses que partiram”, apelou Luxeque. (Malito João)





