Nampula (IKWELI) – Quatro (4) membros da mesma família, nomeadamente mãe, filho e dois sobrinhos, foram detidos pela Polícia de República de Moçambique (PRM), na cidade de Nampula, acusados de agressão e incêndio de residências do secretário e amigos do secretário da Unidade Comunal de Mutotope.
Segundo o porta-voz da PRM, Dércio Samuel, os detidos fizerem justiça pelas próprias mãos, quando, supostamente, estavam a impedir a venda de um terreno, um negócio que supostamente estava a ser materializado pelo secretário e um morador local.
“Estes teriam agredido um cidadão residente e chefe do quarteirão, do bairro de Muhala expansão, unidade comunal de Mutotope, alegando que este teria usurpado a terra da senhora que se encontra sob custódia policial, que incendiaram a casa do chefe do quarteirão, e a posterior os mesmos teriam vandalizado 4 residências”, disse, acrescentando que o secretário está de baixa num hospital a receber cuidados médicos.
Os indiciados, entrevistados pelo Ikweli, revelaram que partiram para cima das vítimas porque, alegadamente, o secretário teria agredido fisicamente uma idosa muda, neste caso a mãe da mulher detida, sem piedade.
Outro detido, de 36 anos de idade, explicou que “tenho talhão aqui na cidade [de Nampula] que meu avô me deu, e construi minha casa e levei meu sobrinho para ir me ajudar a cobrir, veio o secretário do bairro junto com os seus amigos e começaram a dizer que eu não tinha que fazer nada porque ele queria vender, uma vez que já vendeu todos os espaços de lá do bairro e só faltava o meu. Minha mãe como estava aí e é muda ele veio e bateu nela, e com dor batemos”, justificou, revelando que o terreno estaria a venda no valor de 500.000,00Mt (quinhentos mil meticais) a 300.000,00Mt (trezentos mil meticais).
A fonte disse ainda que ele e os familiares reagiram em legitima defesa. “Eram cerca de 10 pessoas com esse secretário, todos eles armados com arma branca como catanas, e nós estávamos indefesos, tiveram que bater meu irmão na cabeça com essa catana. No local tinha muita gente e foram eles que incendiaram as residências, não somos nós, sendo que cada pessoa estava a defender seu talhão que estavam a ser vendidos pelo secretário e nós não lhe agredimos, mas sim o secretário é que estava a nos agredir,” contou. (Virgínia Emília)

