Feijão-fava transforma vida de mulheres em Nahene 1

Nampula (IKWELI) – A comercialização do feijão-fava, conhecido localmente por “Namakotho”, tornou-se uma importante fonte de sustento e esperança para dezenas de mulheres da unidade comunal de Nahene 1 e de outras zonas do bairro de Mutava Rex, no posto administrativo municipal de Namicopo, nos arredores da cidade de Nampula.

O Ikweli constatou que muitas delas são mães solteiras, chefes de família ou foram abandonadas pelos seus companheiros e encontraram neste pequeno negócio uma oportunidade para reconstruir as suas vidas com dignidade.

Preparado durante dois dias nas suas residências, o feijão-fava é transportado diariamente em bacias e panelas para diversos pontos de venda, entre eles o Mercado do Condomínio, Angola, Mathuve, Rex e em frente à Escola Primária Completa de Nahene 1. Em muitos casos, o produto é servido acompanhado de chima de mandioca, conhecida por caracata, sendo uma refeição acessível para trabalhadores, estudantes e outros consumidores.

Vendido em pequenas porções, medidas num copo de sardinha, por preços entre cinco e dez meticais, o feijão-fava tornou-se uma alternativa alimentar para famílias de baixo rendimento e, ao mesmo tempo, uma importante fonte de rendimento para as comerciantes.

As mulheres entrevistadas afirmam que os lucros obtidos permitem cobrir despesas essenciais como alimentação, educação dos filhos, assistência médica, pagamento de renda, aquisição de terrenos e até a construção de habitações, reduzindo a dependência de familiares ou de terceiros.

Entre os exemplos está Mariza Mussa Felisberto, de 30 anos, residente em Mutava Rex. Separada do marido e responsável pela criação de três filhos, conta que iniciou a actividade há cerca de um ano, quando enfrentava dificuldades para garantir o sustento da família e sem emprego e outra fonte de rendimento, Mariza pediu emprestados 200 meticais para iniciar o negócio.

Em menos de uma semana conseguiu devolver o valor e comprar alimentos para os filhos. Actualmente, afirma obter um lucro diário que varia entre 300 e 500 meticais, valor que lhe permite pagar a renda mensal de 600 meticais, assegurar a educação das crianças e planear a compra de um terreno para construir a sua própria casa.

“No princípio não foi fácil, porque estava habituada a depender do pai dos meus filhos. Hoje já não espero que alguém me ajude. Consigo sustentar os meus filhos com o pouco que ganho no meu negócio”, afirmou.

Outra história de superação é a de Delfina Américo, de 23 anos, mãe de uma criança de dois anos. Depois de ser abandonada pelo marido, encontrou na venda de feijão-fava uma forma de sobreviver. No início enfrentou dificuldades, incluindo assédio sexual e humilhações de pessoas que desacreditavam da sua capacidade de vencer. Apesar dos desafios, Delfina diz que a actividade lhe devolveu a autoestima e a independência financeira.

“Agora sou feliz. As mesmas pessoas que me humilhavam hoje procuram-me para pedir ajuda. Com o lucro que consigo, compro comida para o meu filho e continuo a lutar para melhorar as nossas condições de vida”, relatou.

Já Narsa Marques, de 34 anos e mãe de seis filhos, conta que a sua realidade mudou desde que começou a vender feijão-fava em 2024, após o abandono do marido. Segundo a comerciante, antes da actividade a família enfrentava dificuldades para garantir alimentação diária. Hoje, consegue assegurar pelo menos duas refeições por dia para os filhos, adquiriu um espaço próprio e construiu a sua casa embora de material local.

“Depois de começar este negócio, consegui dar almoço e jantar aos meus filhos e já tenho a minha própria casa. Hoje não dependo mais da ajuda de vizinhos ou familiares”, disse emocionada.

Narsa defende ainda que o Governo deve promover formações de curta duração em empreendedorismo e comércio formal, para incentivar outras mulheres em situação de vulnerabilidade a iniciarem pequenos negócios e conquistarem a sua independência económica. (Virgínia Emília)

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