Nampula (IKWELI) – O director do Centro de Saúde 25 de Setembro, na cidade de Nampula, Benito Moiane, garantiu, na manhã desta segunda-feira (20), que a unidade sanitária adoptou uma política de tolerância zero contra os actos de cobranças ilícitas praticados por alguns funcionários, após recentes denúncias dessas práticas.
Em entrevista ao Ikweli, Moiane manifestou o seu descontentamento face às constantes denúncias apresentadas pelos utentes que procuram aquela unidade sanitária para tratamento de diversas enfermidades, por isso, o dirigente apelou à população para denunciar qualquer caso de corrupção ou cobrança ilegal.
Para combater o problema, prosseguiu a fonte, “estão a ser implementadas várias medidas, entre elas a intensificação de palestras na maternidade e o reforço da colaboração com o Gabinete Central de Combate à Corrupção. Estamos a incentivar, sobretudo, os utentes a denunciarem todos os casos de cobrança ilícita.”
A fonte acrescentou que a instituição também decidiu responsabilizar os utentes que tentem aliciar profissionais de saúde com ofertas ou pagamentos indevidos, de acordo com a Lei. “Optámos por uma medida segundo a qual os próprios funcionários devem denunciar qualquer paciente que tente aliciá-los. A lei será aplicada a todos. Não vamos tapar o sol com a peneira. Existem, sim, casos de cobrança ilícita, mas muita coisa está a mudar. Qualquer acto de corrupção resulta em processo disciplinar, expulsão e processo-crime. Tivemos recentemente o caso de uma enfermeira da Saúde Materno-Infantil que trabalhava na maternidade e foi expulsa por envolvimento em actos de corrupção. Continuaremos a aplicar medidas administrativas contra qualquer infractor”, declarou.
Mais adiante, Moiane revelou que, recentemente, o Centro de Saúde realizou uma auscultação comunitária para compreender as preocupações da população relativamente aos serviços da maternidade.
Segundo o dirigente, durante o encontro, alguns membros da comunidade reconheceram que, em determinadas situações, são os próprios utentes que iniciam actos de “agradecimento”, oferecendo dinheiro ou outros benefícios aos profissionais de saúde.
A unidade sanitária atende diariamente cerca de 80 parturientes. Contudo, o director reconheceu que o número de camas continua insuficiente para responder à procura.
Questionado sobre os casos de violência obstétrica, Moiane explicou que as utentes recebem acompanhamento clínico e psicológico sempre que necessário. (Fátima Mugaveia)

