Nampula (IKWELI) – A GirlMove Academy está a capacitar, desde março último até ao período dos exames escolares finais, 2.200 raparigas das 6.ª e 9.ª classes em literacia escolar, em 70 escolas da província de Nampula.
A informação foi avançada pela representante da organização, Denisse Danane, durante uma entrevista concedida à margem do debate interdisciplinar “Da Sala de Aulas à Transformação Social”, realizado na cidade de Nampula.
Do total de beneficiárias, 1.900 frequentam a 6.ª classe e 300 a 9.ª classe. O número de escolas abrangidas aumentou de 11, no ano passado, para 70 este ano.
Segundo a organização, cerca de metade das raparigas já apresenta progressos significativos em literacia.
Denise aponta como desafios na implementação da iniciativa os factores socioeconómicos, culturais e institucionais, as uniões prematuras, a gravidez precoce, a escassez de professores e de salas de aula, bem como a superlotação das turmas.
“Perante essas barreiras, estamos a pensar, em conjunto, em soluções que possam promover uma mudança estrutural”, afirmou a representante, desafiando o Governo e os parceiros de desenvolvimento a promoverem mais debates para identificar respostas aos problemas estruturais da educação.
Além de Nampula, a província de Sofala beneficiou em 2025, acções da GirlMove Academy, onde formou 2.487 raparigas, das quais 2.100 frequentavam a 6.ª classe e 387 a 9.ª classe.
Por sua vez, Margarida Costa, coordenadora do Laboratório de Educação Transformadora em Nampula, explicou que o objetivo da iniciativa é responder aos desafios do sistema educativo, reforçando a transição escolar e a permanência das raparigas na escola.
As formações têm privilegiado escolas rurais com baixos índices de literacia, entre as quais Matibane, Marratane, Marrere, Saua-Saua, Marcelino dos Santos, Anchilo e outras.
A GirlMove Academy existe há 10 anos e desenvolve as suas atividades nas províncias de Nampula e Sofala. A organização não-governamental (ONG) trabalha nas áreas da investigação académica, liderança feminina e inovação social, acolhendo anualmente entre 30 e 40 jovens de todo o país. (Virgínia Emília)

