Psicólogo clínico alerta para o aumento do risco de suicídio associado à violência sexual em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Psicólogo clínico do Hospital Central de Nampula (HCN), afecto ao Gabinete de Atendimento Integrado às Vítimas de Violência (GAIVV), Ibraimo Colabo, alerta para o aumento do risco de casos de suicídio, traumas psicológicos e depressão entre vítimas de violência sexual, incluindo casos de sexo anal não consentido.

Segundo o profissional, a fraca procura pelos serviços de saúde mental tem agravado a situação. De acordo com informações avançadas por esta fonte, nos primeiros seis meses do ano em curso, foram registados 222 casos de suicídio, dos quais 145 envolveram homens, contra 186 casos registados no mesmo período do ano passado.

Segundo Ibraimo Colabo, a situação preocupa as autoridades de saúde e os profissionais de saúde mental daquela unidade sanitária, uma vez que muitos casos de violência sexual, particularmente de sexo anal não consentido, raramente são denunciados pelas vítimas.

De acordo com o especialista, este fenómeno ocorre sobretudo entre homens heterossexuais, devido ao estigma e ao receio de exposição.

Colabo revelou ter acompanhado um caso marcante de um menor vítima de violência sexual por via anal, alegadamente praticada por um membro da própria família. “Já tivemos casos do género que passaram pelas consultas externas. O impacto psicológico tende a surgir quando o acto ocorre sem o consentimento da vítima. Temos registado indivíduos que carregam sentimentos de culpa, ansiedade, depressão e reacções agudas de stresse pós-traumático. Para além dos casos de violência por sexo anal, também recebemos vítimas de outras formas de violência sexual”.

“Quando essas vítimas não recebem acompanhamento psicológico adequado, aumenta o risco de suicídio como forma de tentar pôr fim ao sofrimento, para além de outros factores, como os passionais”, alertou Ibraimo Colabo.

O psicólogo acrescentou que, sempre que é confirmado que uma pessoa foi submetida a essa prática sem o seu consentimento, a equipa do GAIVV presta acompanhamento psicológico com o objectivo de prevenir consequências mais graves “Quando constatamos que este indivíduo foi submetido a esta prática sem o devido consentimento, procuramos prestar apoio psicológico para evitar situações mais graves que possam ocorrer futuramente”, acrescentou.

Ibraimo Colabo referiu ainda que a instituição a não dispõe de dados consistentes sobre a incidência destes casos nas consultas externas “Ainda não temos dados recorrentes. Nas consultas externas, sobretudo na cirurgia, ainda não dispomos de números significativos sobre casos desta natureza. No entanto, trata-se de uma questão que merece atenção, tanto do ponto de vista da saúde mental como da saúde sexual, sobretudo entre a população jovem”, concluiu.  (Virgínia Emília)

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