Director da Biblioteca Provincial de Nampula exorta para investimento do livro físico

Nampula (IKWELI) – O director da Biblioteca Provincial de Nampula, Tito Sacramento Joaquim Mussa, exorta para que se possa investir nos livros físicos porque na mão de um leitor desempenha um papel muito importante que o eletrónico.

Sacramento Mussa, falava em exclusivo ao Ikweli nesta quarta-feira (8), no âmbito da comemoração do Dia Mundial das Bibliotecas assinalado no passado dia um (1) do corrente mês, uma data que objectiva enaltecer a importância da leitura na educação e formação das pessoas.

“Eu penso que esta génese do livro físico, nunca vamos deixar, mas estamos num contexto dinâmico particularmente na vertente de comunicação e informação. O certo é que o livro físico vai ter que continuar a ser uma primazia porque para termos o acesso o eletrónico é a partir de um dispositivo, seja computador, telefones e outros meios. Porém, quando alguém está a ler num telefone por exemplo, há distrações no caso de receber uma chamada e a pessoa acaba interrompendo, o que de certa forma pode interromper o legue do pensamento que estava a colher,” disse Mussa.

O nosso entrevistado está ciente de que mesmo ao ler o livro físico também pode haver distrações, mas, a concentração da página em que um leitor se encontra lendo não foge, além de que os te telefones são instrumentos digitais que são vulneráveis a várias situações, ao passo que o livro passa de geração em geração.

“Quando você está em contacto com livro a sua concentração é muito maior, por isso o livro físico é muito importante independentemente de existirem várias alternativas digitais. Por isso, nós incestávamos nas escolas para terem o hábito de visitar as bibliotecas, porque na verdade os nossos alunos deixaram de terem contacto direto, estão muito apegados com informações da Internet, mas nem toda a informação que aparece lá em 100% real,” disse a fonte.

O director garantiu que está sendo feito um trabalho através de uma equipa da biblioteca provincial de Nampula que dirigiu-se por exemplo na escola secundaria de Napipine, Muatala, escola básica de Mpuecha  provendo pequenos concurso de declamações de poesia, consulta de dicionários e outras actividades do género, e foi possível detectar que existe grande dificuldade e como forma de ultrapassar os problemas constatados, “falamos com a as direções das escolas e os respetivos professores para sensibilizar os alunos a aproximar a biblioteca.”

Como resultado, “alguns professores já estão a orientar os alunos a virem fazer trabalhos cá na biblioteca e por sua vez nós carimbámos para comprovar que eles se dirigiram à nossa instituição e isso está a motivar muitos alunos que estavam sentados em casa a espera do seu colega trazer apontamentos e copiar, porque o professor não vai validar sem o nosso comprovativo,” realçou a fonte.

Mussa insta aos escritores da província de Nampula, tanto como do país em geral a continuarem a escreverem para os alunos leem e se inspiram porque os autores não vivem eternamente, por isso, devem existir pessoas para continuarem com o legado. “Incentivamos a continuarem a escrever porque o livro é catalisador de conhecimento,” exortou o diretor da biblioteca Provincial.

Na mesma senda, Michael Nivorocha, escritor da província de Nampula, asseverou que o livro físico sempre vai ter o seu lugar pois alguém pode levar a qualquer lugar e em qualquer momento, ao passo que o livro digital, se a carga acaba não há como abrir.

“Mesmo com o desenvolvimento das tecnologias o livro físico continuará a desempenhar um papel crucial. Como escritor, os livros eletrónicos também violam os direitos autorais porque partilha-se o livro sem o consentimento do dono,” sublinhou Nivorocha.

Já Nélio da Costa, outro escritor da província de Nampula, disse igualmente, que os livros eletrónicos não vão substituírem os livros das bibliotecas, mas os eletrónicos servem como auxílio. “As tecnologias auxiliam o âmbito económico, por exemplo, alguém pode querer um livro que se encontra no Brasil e por causa de custos de viagens não conseguir, dai que vai recorrer através do eletrónico e puder ler, apesar de não ter uma atracão clara, aquela conexão do livro físico,” realçou. (Francisco Mário)

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