“Desnutrição não se combate com seminários e workshops,” Eduardo Mariamo Abdula, governador de Nampula, na abertura da CINA II

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, lançou duras críticas em relação aos modelos que têm sido adoptados e impostos pelos parceiros de cooperação no combate à desnutrição na província.

Abdula entende que, muitas vezes, aas organizações dedicam-se ao “turismo”, indo as comunidades apenas para produzir relatórios e não resultados práticos na vida das comunidades.

“Esqueçam lá de pensar que vamos ultrapassar tudo isso com bla, bla, bla, esqueçam-lá. Precisamos abraçar cada vez mais a academia,” disse o governador, chamando as instituições de ensino superior para darem o melhor de si em pesquisas para o combate a desnutrição crónica, dando primazia as formas de pensamento local. “Precisamos investir nas universidades, potenciar as universidades que já têm meio caminho andado. O Secretário de Estado [na província] disse e bem, temos muito feijão, temos gergelim, temos amendoim, temos castanhas e porquê temos a desnutrição? A resposta só pode vir se respeitarmos a ciência, se não vamos passar a vida em seminários e workshops. Queremos em Nampula trabalhar com as universidades, se não há dinheiro digam-me, eu vou procurar. As nossas universidades estão preparadas para desempenhar esse papel.”

O governador deu garantias que a província está preparada para reverter a situação da desnutrição crónica, mas pede que os parceiros não desvirtuem a planificação.

“Temos investigadores qualificados, temos laboratórios, temos conhecimento acumulado, temos jovens, talentos capazes de ajudar a encontrar soluções adequadas à nossa realidade. Peço encarecidamente aos parceiros, estou a falar de parceiros nacionais e estrangeiros, não podemos trazer a soja dos Estados Unidos, tenho amendoim aqui, tenho gergelim aqui, vamos lá estudar, vamos lá perceber o que é que se passa, vamos lá trabalhar juntos de forma a podermos resolver esse assunto [desnutrição]. Precisamos de mais insumos científicos sobre as causas determinantes da desnutrição crónica em Nampula e isso não vai acabar com seminários e workshops. Precisamos de compreender melhor os hábitos alimentais, as dinâmicas sociais e os factores culturais que influenciam esse fenómeno,” explicou o governador, apelando a necessidade de os parceiros trabalharem de acordo com a agenda do governo provincial no combate à desnutrição crónica, tanto é que referiu que caso não se esteja alinhado é capaz de dispensar a actuação das organizações na província. (Redação)

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