Nampula (IKWELI) – Alguns refugiados que se encontram acolhidos no Centro de Maratane, na província de Nampula, viram-se obrigados a vender suas filhas para conseguir dinheiro de modo a migrarem para outros países, uma vez que dizem estar a passar fome em Moçambique.
A informação foi cedida recentemente ao Ikweli pelo director executivo da Associação de Refugiados de Moçambique (ARM), Ismael Abrão, quem explicou que maior parte das famílias lesadas foi burlada em valores que variam entre 60.000,00Mt (sessenta mil meticais) e 100.000,00Mt (cem mil meticais).
“Outros países abriram espaço para famílias refugiadas carenciadas, para terem o devido apoio. Há pessoas refugiadas que enganam os outros aproveitando-se da situação, prometendo que poderá lhe levar para o exterior, e nós desencorajamos esses actos, e temos casos de famílias que recorreram a empréstimos, lobolo das filhas, com garantia de que iriam viver fora deste país, e as pessoas acabaram cedendo,” explicou.
Desde Janeiro a esta parte, aquele responsável fala de 45 famílias refugiadas em situação extrema de vulnerabilidade que foram vítima de burlas.
Na ocasião, Ismael Abrão desencorajou o fenómeno e apelou as famílias refugiadas a serem mais vigilantes dos grupos que se aproveitam da vulnerabilidade daquelas famílias para praticar burla.
O centro de Maratane actualmente conta com um total de 7 mil pessoas refugiadas, entre jovens, idosos, crianças e mulheres grávidas. A nossa fonte, igualmente, deu a conhecer que o problema já é do conhecimento das entidades competentes, mas até então não foram resolvidas. (Virgínia Emília)

