
Nampula (IKWELI) – O académico e docente universitário Felizardo Pedro Nicula defende que o combate a xenofobia não deve resumir-se em discursos, mas em acções concretas das autoridades sul africanas em parceria com a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) que gerem mudanças para o combate do mal.
Nicula questiona a aparente apatia da SADC face as atrocidades perpetradas contra membros da mesma comunidade. “Tenho dito que esta organização tem sido transformada em questões simplesmente económicas e que vão ultrapassando a dimensão política, pois o âmbito político seria o esforço que os governos deveriam fazer para criar um espaço comum de busca de felicidade, realização, mas acontece que este esforço comum não tem acontecido, as nossas sociedades de Moçambique, tanto da África do Sul, têm feito muito pouco para resolver os problemas das próprias comunidades, e apesar do esforço que fazem, que tem sido pouco mesmo, os cidadãos têm corrido para espaços onde acham que devem ser resolvidos os seus problemas de busca de bens,” disse.
Perante esta situação, o nosso entrevistado defende que a atitude de condenação não resolve o problema, “porque mesmo condenando, a atitude dos sul-africanos ainda continua. A apreciação deles para com os emigrantes não muda, porque eles têm problemas que eles acham que os moçambicanos, os zimbabwianos e os outros estão a lhes tirar o pão na boca, quer dizer, estão a lhes a tirar o emprego. Portanto, se o governo sul africano não ampliar os postos de emprego para acomodar os nativos vai ser difícil ultrapassar o problema,” realçou a fonte
O Professor não descarta a possibilidade de existir um aproveitamento político no sentido de que alguma camada política sul-africana, que não se sente realizada, queira se aproveitar da situação para mediar o problema fazendo uma propaganda para resolver os seus intentos.
“O que acontece é que há muitos países, principalmente aqueles com um olhar imperialista sobre o mundo que financiam organizações da sociedade civil e começam a destabilizar o seu próprio país. Até organizações políticas recebem dinheiro, financiamentos e fazem papéis que criam problemas sérios no seu país, isso por um lado para descredibilizar os governos ali presentes e provavelmente cumprir com as agendas desses financiadores. Mas não tiro a responsabilidade do governo sul-africano trabalhar a fundo, mas também as organizações políticas têm a responsabilidade de cuidar e de resolver os problemas de emigrantes de outra forma e não nos moldes que está a acontecer,” sublinhou Nicula.
A fonte exortou ainda aos países africanos em que os seus cidadãos estão a sofrer a tomarem uma posição. “O importante é trabalhar no sentido daqueles emigrantes que estão em Moçambique e legais gozem dos seus direitos e os que não são legais sejam repatriados e se tornem mais legais, é o que devia acontecer na África do Sul.”
Todavia, de acordo com o nosso entrevistado, os outros países deviam ajudar o governo sul-africano a colocar a mão na consciência para trabalhar a fundo para ultrapassar rapidamente esta questão porque se não, isso vai pôr em causa o próprio governo sul-africano e em causa os compromissos da SADC. (Francisco Mário)





