
Nampula (IKWELI) – Mães da localidade de Pehone, em Nampula, são desafiadas a aprender melhores formas de enriquecimento de alimentos, uma iniciativa que visa reduzir a desnutrição crónica em crianças e os níveis que colocam a província de Nampula em níveis mais altos a nível do país, com uma taxa de 46,7%.
Na comunidade de Pehone, a nossa equipa de reportagem constatou a prevalência de crianças desnutridas, mas também mães da mesma localidade a implementar os conhecimentos transmitidos pela Visão Mundial.
Angelina Acácio, de 32 anos de idade, e mãe de três filhos, contou ao Ikweli que após a sua última gestação, a filha foi diagnosticada com desnutrição aos seis meses de idade, devido a falta de alimentos nutritivos, e para que isso não se repita, está a aplicar os conhecimentos sobre boa alimentação infantil.
“Após receber a informação dos médicos de que a minha filha enfrentava um quadro de desnutrição infantil, a minha vida ficou paralisada. Vivi momentos de desespero. A criança nasceu em 2022 e apresentava fraco desenvolvimento físico e emocional. Mais tarde, recorri ao comité de saúde nutricional implementado pela Visão Mundial na nossa zona, onde aprendi a preparar papas enriquecidas. Isso permitiu que a minha filha, hoje com três anos, começasse a caminhar, brincar e até falar,” relatou Angelina.
O Ikweli, também, entrevistou Liloca Joaquim, mãe de dois filhos e residente na localidade de Pehone. Ela afirmou que o seu segundo filho enfrentou problemas de desnutrição devido a falta de conhecimentos sobre boas práticas alimentares, por isso aproveita os conhecimentos com activistas da Visão Mundial para fazer papas enriquecidas.
“Em 2024, o meu filho, então com três anos, perdeu peso e ficou com o crescimento comprometido devido à desnutrição. Esta situação aconteceu também com outras famílias da comunidade,” revelou, Liloca Joaquim.
Liloca agradece os comités de saúde da sua comunidade. “Aqui na localidade foram criados comités de saúde na componente de nutrição, com apoio da Visão Mundial e do Governo. Graças a isso, as nossas vidas melhoraram. Aprendemos diferentes formas de preparar alimentos saudáveis utilizando os produtos que cultivamos.”

A população de Namaita, concretamente da localidade de Pehone, acredita que a Visão Mundial tem promovido acções destinadas a garantir a segurança alimentar e nutricional, através da capacitação de activistas comunitários e mães para combinarem corretamente alimentos ricos em energia, proteínas e vitaminas, contribuindo para a melhoria do estado nutricional das crianças.
“Passamos muito tempo a sofrer. Agora, nós, mães de Namaita, aprendemos boas práticas de nutrição para manter os nossos filhos longe da desnutrição. Transformamos o milho em farinha, utilizamos folhas de batata-doce, amendoim pilado e ovos para preparar papas enriquecidas para crianças e também para adultos,” afirmou Gilferna Fernando, uma residente local.
Igualmente, as autoridades comunitárias e governamentais locais enaltecem o trabalho das organizações não-governamentais (ONG) e das agências internacionais, reconhecendo que o esforço conjunto é fundamental para mudar hábitos alimentares e garantir um futuro mais saudável para crianças, mulheres grávidas e idosos.
O líder comunitário da localidade de Pehone, Manuel Pires, afirmou que a nutrição da criança anda melhor nos últimos meses.
“Há dez anos que lidero esta comunidade. A desnutrição é um problema real, mas actualmente os ensinamentos sobre alimentação diversificada e enriquecimento alimentar estão a melhorar a vida de muitas famílias. Esperamos que os programas de educação nutricional continuem.”
No âmbito da luta contra a desnutrição infantil, a localidade de Pehone conta actualmente com 13 comités de saúde e nutrição criados pelo Governo e seus parceiros.
Entretanto, o presidente dos Comités de Saúde e Nutrição da localidade, Atanásio Luís, explicou que persistem desafios relacionados com o acesso às unidades sanitárias, bem como a escassez de material médico e suplementos nutricionais nas comunidades. “Apesar dos desafios, continuamos a garantir que as políticas de prevenção de doenças, promoção do bem-estar e segurança alimentar cheguem às famílias. Graças ao apoio da Visão Mundial e de outros parceiros, acreditamos que, mesmo após o término das suas intervenções, estaremos preparados para continuar a promover a proteção e o bem-estar da população.”
Por sua vez, os profissionais de saúde reconhecem igualmente a existência de uma escassez crítica de medicamentos e suplementos nutricionais, situação que pode colocar em risco milhares de vidas. Ainda assim, consideram que as acções de educação nutricional têm contribuído para apoiar muitas famílias.
O enfermeiro e director do posto de saúde de Muleia, na localidade de Pehone, Abdala Beral, afirmou que continuam a ser registados casos de desnutrição e que a falta de recursos financeiros para aquisição de suplementos nutricionais essenciais mantém o problema como uma preocupação constante para o sector da saúde na região.
Outrossim, a Visão Mundial em Namaita reafirma o compromisso de continuar a capacitar mães, gestantes e cuidadoras sobre a preparação de refeições nutritivas utilizando alimentos locais. Segundo o coordenador técnico de Saúde e Nutrição na Visão Mundial, em Nampula, Mário Mandaga, a organização desenvolve intervenções locais e globais destinadas ao combate da desnutrição infantil e da insegurança alimentar.
“A desnutrição ocorre devido a uma alimentação inadequada ou à incapacidade do organismo de absorver corretamente os nutrientes ingeridos. Pode afetar pessoas de qualquer idade, embora alguns grupos sejam mais vulneráveis,” explicou.
O responsável acrescentou que entre Janeiro e Maio deste ano, foram registadas 217 crianças com desnutrição, que posteriormente foram reabilitadas. No mesmo período do ano passado, tinham sido registados cerca de 400 casos “Verificamos uma redução significativa e, felizmente, não registámos nenhum óbito.”
Mário Mandaga alertou ainda para a comercialização excessiva de produtos agrícolas, que reduz a disponibilidade de alimentos nas comunidades e pode contribuir para o agravamento da desnutrição.
Por sua vez, o Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS) de Rapale reconhece que a desnutrição infantil afecta gravemente o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças, podendo causar danos irreversíveis após os primeiros dois anos de vida e contribuir para o aumento da mortalidade infantil.
Énia Cintura, representante dos SDSMAS de Rapale, afirmou o governo vai continuar a trabalhar com parceiros para estancar a doença “o Governo distrital está preocupado com os casos de desnutrição infantil. Por isso, estão em curso ações comunitárias de educação nutricional e promoção da produção de alimentos nutritivos. Durante as consultas de rotina, os pais recebem orientações sobre prevenção da má nutrição e, nas unidades sanitárias, realizamos rastreios de desnutrição aguda.”
A dirigente explicou ainda que a desnutrição crónica ocorre quando o organismo permanece durante longos períodos sem os nutrientes necessários para crescer e funcionar adequadamente. (Nelsa Momade)





