
Nampula (IKWELI) – Docentes e pesquisadores moçambicanos e brasileiros defenderam, recentemente, na cidade de Nampula, que a forte presença de expressões de origem africana na língua e cultura brasileiras resulta de processos históricos de resistência, preservação da memória e intercâmbio entre África e a diáspora.
A reflexão teve lugar durante uma palestra promovida pela Faculdade de Educação e Psicologia (FEP) da Universidade Rovuma, que reuniu os professores Gerôncio Barbosa, pesquisador brasileiro, e Sónia Cumbe, docente da Faculdade de Letras da UniRovuma.
Durante o encontro, os especialistas destacaram que diversas palavras utilizadas diariamente no Brasil têm raízes africanas, sobretudo provenientes das línguas Bantu, predominantes na África Austral, e das línguas Yorubas, originárias da costa ocidental africana.
Termos como “cafuné”, “caçula”, “quitanda”, “dengo” e “samba” foram apontados como exemplos da influência africana na formação do português falado naquele país.
Além da dimensão linguística, os participantes discutiram a importância da descolonização do conhecimento, da valorização das línguas e saberes africanos e do fortalecimento da cooperação académica entre Moçambique e Brasil.
Para os oradores, a linguagem representa um importante instrumento de memória, identidade e resistência cultural, evidenciando o papel central de África na construção da cultura brasileira. (Malito João)
