Igreja católica reafirma preocupação com ataques em Cabo Delgado e condena intolerância religiosa

Nampula (IKWELI) – A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) manifestou repúdio contra os ataques dirigidos às comunidades cristãs na província de Cabo Delgado e reafirmou solidariedade às vítimas da violência armada que continua a afectar a região norte do país.

A posição consta numa nota pastoral assinada por Dom Inácio Saure, Presidente da CEM.

No documento, os bispos católicos lamentam a destruição de igrejas, profanação de símbolos religiosos e perseguição contra comunidades cristãs, considerando que tais actos atentam contra a dignidade humana e a liberdade religiosa.

A CEM entende que os ataques não afectam apenas os cristãos, mas ferem também os valores morais e culturais do povo moçambicano.

“Recebemos com profunda tristeza as notícias de profanações, destruições e atentados contra igrejas cristãs e símbolos religiosos”, refere a nota pastoral assinada por Dom Inácio Saure.

Os líderes religiosos condenam ainda todas as formas de extremismo violento e alertam para o risco de crescimento da intolerância religiosa no país. Segundo os bispos, a instrumentalização da religião para justificar violência contradiz os princípios de convivência pacífica entre diferentes crenças existentes em Moçambique.

“A última palavra pertence sempre à esperança, à reconciliação e à vida”, destacam os bispos, apelando à união nacional na promoção da paz, diálogo e justiça social em Cabo Delgado e em todo o país.

A Conferência Episcopal recorda igualmente que é dever do Governo garantir a segurança, a dignidade humana e a protecção do património nacional, numa altura em que a violência em Cabo Delgado continua a provocar deslocados, mortes e destruição de infra-estruturas sociais e religiosas.

Na nota pastoral, assinada por Dom Inácio Saure, os bispos convidam ainda os fiéis e todas as pessoas de boa vontade a intensificarem as orações pela paz e reconciliação nacional, pedindo solidariedade para com as famílias afectadas pela violência e pelos ataques armados na região norte de Moçambique. (Malito João)

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