
Nampula (IKWELI) – O investigador Marchal Manufredo, com linha de pesquisa virada ao pan-africanismo, afirma que os ataques xenófobos perpetrados por alguns sul africanos, sob alegação de que os estrangeiros estão a usurpar as oportunidades dos nativos, pode significar preguiça de trabalhar e, por conseguinte, alcançar seus objetivos.
O pesquisador sublinha que é preciso entender que a África do Sul é um dos países onde a colónia foi inglesa e a dimensão popularista, intelectual e trabalhista é diferente. Assim sendo, a perspetiva do trabalho para a juventude é fraca, ou seja, querem trabalhar pouco e comer muito.
“Se formos a recordar, quando aconteceram ataques na refinaria de petróleo em Mapai, foram os sul africanos por via da Rodésia do Norte. Portanto, a nossa luta não é fazer aquilo que os sul africanos fazem, mas perceber o que o nosso governo moçambicano está a fazer para proteger os nossos irmãos que se encontram naquele país,” disse.
Na óptica do nosso entrevistado, a África do Sul não está preparada para terminar com esta problemática, daí que deve se fazer algo para travar as atrocidades. “Não é sobre vingança, pois as diplomacias não se fazem com conflitos, mas é preciso ensinar os sul africanos não fazendo aquilo que eles praticam. Por exemplo, podíamos cortar a corrente elétrica que abastece algumas zonas sul africanas não como retaliação, mas para mostrar que os moçambicanos, os tanzanianos, os malawianos, os zimbabwianos, assim como outros países africanos são importantes. Os nossos irmãos que estão na África do Sul, olham as minas que lá têm, como um refúgio para a sustentabilidade,” realçou Manufredo.
Manufredo ainda chamou atenção ao facto de que a África do Sul existe graças a cooperação com outros países. “Nós os moçambicanos recebemos irmãos da África do Sul, mas em nenhum momento pensamos em maltratá-los. Moçambique é um país laico, recebe todo aquele que quer viver na nossa nação desde que seja dentro das normas. Há muitos sul africanos, mas em nenhum momento os moçambicanos ou outros países africanos tentaram usar mecanismos xenófobos, porém é preciso ensiná-los que África do Sul existe por causa de outros países,” afirmou.
“Estão lá americanos, canadenses, portugueses, espanhóis, alemães e outros, mas não sofrem os problemas que os africanos vivenciam. Portanto, na problemática do desemprego dos sul africanos, os brancos não estão lá envolvidos?” questionou.
Ainda segundo a fonte, o que continua a colonizar os africanos é a cor, pois é necessário começar a aceitar às diferentes culturas existentes no mundo e de forma particular em África. Portanto, é urgente refletir quais são os caminhos para que os ataques xenófobos terminem, pois o que existe em África são os africanos.
Lembre-se que xenofobia é o medo, aversão, ódio ou preconceito direcionado a indivíduos considerados estrangeiros ou de diferentes culturas, etnias ou origens, e manifesta-se através da rejeição, exclusão ou rejeição visando eliminar a presença dessas pessoas. (Francisco Mário)





