
Nampula (IKWELI) – Os artistas da área da dança na cidade de Nampula lamentam a falta da valorização da actividade, alegadamente devido a falta de incentivos quando são solicitados para actuarem nos eventos, daí que pedem que o cenário seja ultrapassado para evitar abandono da arte.
A inquietação foi manifestada no dia 29 de abril, na cidade de Nampula durante a celebração do Dia Internacional da Dança, uma data instituída pelo Comité da dança da UNIESCO (organização das Nações Unidades para Educação, Ciência e Cultura) no ano de 1982, e que este ano a comemoração foi sob lema: Regulamentação Urgente das Competências da Dança.”
Domingos Três, vice-presidente da Associação de Grupos de Dança na cidade de Nampula, disse ao Ikweli que há falta de consideração da actividade, mas sempre que os eventos governamentais acontecem os artistas estão em prontidão para alegrar. “Pedimos material para o nosso trabalho, mas não recebemos respostas satisfatórias, queremos que o governo possa atender as nossas necessidades. É preciso que pelo menos água para beber nos deem. Por exemplo, hoje os grupos estavam aqui sentados, mas não tinham água para beber,” lamentou.
Três afirmou que existem muitos grupos que não têm material de actuação, o que poderia elevar avante a dança ao nível de Nampula se estivessem a receber incentivos, por isso “muitos grupos de dança não aparecem quando são solicitados porque sabem que não terão algo”.
Cristina Souana, coreógrafa e professora de dança na Casa de Cultua em Nampula, também apontou como a alegada falta da valorização, assim como a extinção de algumas danças como um grande problema que os artistas enfrentam ao nível de Nampula.
“Existem muitas danças que estão em via de extinção, é preciso trabalhar para evitar o desaparecimento. O outro desafio é a valorização do próprio artista, porque precisam de indumentárias. Na parte dos instrumentos, os instrumentistas de alguns grupos são alugados, e eles precisam de valores para pagarem os mesmos quando realizam um determinado evento. Assim sendo, quando se contracta um grupo deve ser pago, a partir da alimentação, transporte. Os grupos precisam de dinheiro para sustentar as danças que nós queremos ver porque eles têm muita força de vontade, mas se não são apoiados ficam desanimados,” apelou a fonte.
Como forma de resgatar as danças, a nossa entrevistada referiu que “existe um plano de ir nos distritos porque lá tem muita riqueza para oferecer, o que nós assistimos na cidade na área da dança é o fruto dos distritos. Também é preciso que os grupos que ainda mantêm, formem os jovens para seja os continuardes,” realçou.
Na ocasião, Baptista Júlio, em representação da directora provincial da Cultura e Turismo, afirmou que a dança, enquanto uma expressão universal, é importante na identidade cultural dos povos, pois traduz sentimentos com histórias, preserva tradições e reforça laços de presenças comunitárias.
“A província de Nampula dispõe 1.848 (mil, oitocentos e quarenta e oito) grupos culturais, 570 (quinhentos e setenta) cantores e músicos, 81 (oitenta e um) artistas dedicados a música tradicional. Estes números reflectem a vitalidade e riqueza do nosso património cultural,” referiu o representante.
Júlio anotou, igualmente, que a dança, para além da manifestação cultural, é também uma actividade económica e social e relevante que pode gerar emprego, renda, inclusão, sobretudo para os jovens.
Dai que “para que este potencial seja explorado, torna-se imperioso a criação de instrumentos legais e normativos que orientem o exercício da atividade, que protejam os seus intervenientes e promovam a sua sustentabilidade,” frisou. (Francisco Mário)
